sexta-feira, 5 de março de 2010

Carvalhiça/Carvalho Anão (Quercus lusitanica)

Carvalhiças/Carvalho Anão (Quercus lusitanica)

De nome científico Quercus lusitanica, a Carvalhiça pertence ao reino vegetal, família Fagaceae. Ao nível da morfologia externa apresenta-se na forma de um arbusto, de ramos prostrados, que forma normalmente matos rasteiros de cerca de 30cm.
As flores surgem entre Maio e Junho, agrupadas separadamente por sexo em espigas alongadas pendentes, designadas por amentilhos.
O seu fruto é a bolota e tem 10-15mm.
(folhas das Quercus lusitanica)


É uma espécie cujo habitat passa por zonas de clima suave, com solos arenosos, requerendo por vezes alguma humidade. Exemplos de habitat: Marrocos e Ocidente da Península Ibérica.

O estilo das folhas são opostas, compostas, imparipinuladas, com 25 a 30 cm de comprimento por 5-13 folíolos não peciolados, aproximadamente, lanceolados, sendo um deles o terminal, cada um com 3 a 9 cm de comp. e 0,8 a 2,5 cm de larg., acuminados, serrados e acunheados, com a página superior brilhante e verde mais escuro que na inferior.
















O ciclo de vida de um carvalho




















Esta imagem mostra o crescimento de um carvalho

O fruto de um carvalho é a sua bolota. Nessa bolota encontra-se uma pequena semente que irá cair na terra quando ficar madura e germinar se o local onde caiu tiver boas condições. Após germinar irá começar a formar-se um caule e as raízes começam a ramificar-se assegurando uma boa fixação e uma boa absorção de nutrientes. Mais tarde o tronco engrossa chegando a ter 7 metros de diâmetro e forma-se no topo da árvore uma grande copa. Este crescimento é lento e demora vários anos. Ao fim de muitos anos o carvalho deixa de crescer, as raízes deixam de absorver o necessário para o crescimento e manutenção do carvalho, a copa não expõe grande parte das folhas ao sol e o tronco não consegue suportar o peso da árvore. O carvalho tem mais dificuldade em obter alimento e é alvo de fungos e outra infestações que o debilitam, perfurando-lhe o tronco e transformando-o em celuloso sem resistência e o carvalho acaba por tombar.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Carvalho-das-Canárias (Quercus canariensis)



O carvalho-das-canárias (Quercus canariensis) é uma árvore robusta que pode atingir os 30m de altura.

Esta espécie de carvalho, de folha caduca, é originária da zona mediterrânica ocidental (Sul de Espanha, Porugal e África do Norte).

Apresenta uma copla ampla e densa, e as suas folhas variam entre os 6 cm e os 18 cm, de forma elíptica-ovada, com 9 a 14 pares de dentes sub-agudos. A casca é profundamente fissurada e de cor castanha acizentada.

É caracterizado pelo seu arqueamento, por ramos grossos que saem do tronco e um agachamento forte.

Em Portugal, o carvalho das canárias pode ser encontrado na serra de Monchique e pelo Alentejo Litoral.
Quercus canariensis é uma espécie considerada em risco de extinção, encontrando-se protegida.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Carvalho-Cerquinho (Quercus faginea)

Foto do Carvalho-Cerquinho (Quercus faginea)

O carvalho-cerquinho é uma árvore de folha caduca, a sua altura media é de 20 metros.

A copa é ampla, arredonda, com ramificação e folhagem abundante e densa.

O tronco é geralmente direito, podendo ser tortuoso.

As folhas são denominadas mascerescentes por se manterem muito tempo na árvore após terem murchado, bem como por se conservarem verdes durante o Inverno. Têm uma consistência rígida, com margens dentadas ou com recortes pouco acentuados. O seu comprimento longitudinal pode ir dos 2cm aos 11cm. A página inferior é de cor acinzentada e mantém uma pelagem estrelada e simples mesmo nas árvores adultas.

O seu fruto é a bolota cilíndrica e tem entre 15 a 33 mm.

A casca é acinzentada ou parda-acinzentada, com muitas gretas pouco profundas nos indivíduos mais velhos.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Carvalho-alvarinho (Quercus robur)



O carvalho-alvarinho é uma árvore de folha caduca que apresenta uma copa ampla, podendo ultrapassar os 40 metros de altura. Possui uma casca bastante espessa.

Tem preferência por climas temperados húmidos e solos frescos e profundos.

O seu período de vida é muito longo, podendo chegar aos milhares de anos.

O fruto é uma glande ovóide. A frutificação ocorre entre Setembro e Outubro.

(http://images.google.pt/imgres?imgurl=http://www.aphotofungi.com)

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Que bolotas devo semear?


No "1º Dia Mundial da Bolota" - 10 de Novembro de 2009 - foram distribuídos 400 pacotinhos com bolotas de carvalho-negral para os alunos, funcionários e professores semearem um pouco por todo o lado.

Devem semear-se apenas as bolotas de espécies autóctones.

Existem várias espécies de carvalhos autóctones portuguesas. De um modo muito genérico, podemos indicar a distribuição das quatro mais representativas (pode consultar neste blog quais as espécies autóctones de Portugal e quais as introduzidas):

Carvalho-negral (Qurcus pyrenaica) - Interior a Norte do rio Tejo
Carvalho-alvarinho (Quercus robur) - Litoral a Norte do rio Tejo
Azinheira (Quercus ilex) - Interior a Sul do Tejo
Sobreiro (Quercus suber) - Litoral a Sul do Tejo

Semeie as bolotas recolhidas de árvores da mesma zona. Assim assegura que irão sobreviver às condições climáticas dessa região.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Qual a melhor altura para semear as bolotas?


Um nevão para animar: turma 9ºC
"Um milhão de carvalhos para a Serra da Estrela"
Covão d`Ametade - Novembro de 2007

As bolotas perdem capacidade de germinação com o passar do tempo.

Idealmente, a sementeira deveria ser logo a seguir á sua recolha. A maioria das bolotas sobrevive aos rigores do Inverno enterradas no solo. Claro que muitas serão comidas antes de germinarem, mas esse também é uma das suas “funções” no ecossistema.

Se não forem semeadas logo após a sua recolha, tente semeá-las ainda no Outono. Caso opte por semeá-las mais tarde, acondicione-as devidamente (ver blog 18 de Fevereiro) e faça-o na Primavera.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Aproveitamento económico do carvalho-negral

A primeira recolha de bolotas: turma 9ºC
Outubro 2007
Participação no projecto "Um milhão de carvalhos para a Serra da Estrela"

A utilização actual mais comum do carvalho-negral (Quercus pyrenaica) é o seu aproveitamento para lenha. Devido às características do seu desenvolvimento – crescimento de várias árvores muito juntas – este tipo de exploração é rentável e sustentável através do corte selectivo.

A sua madeira já não tem a utilidade de outros tempos – portes, soalhos, mobílias, pipas – pois foi sendo substituído por outras espécies, algumas com impacto negativo no ambiente (ex.: carvalho-americano – Quercus rubra).

Mas os maiores benefícios desta espécie são a longo prazo. A manutenção da biodiversidade, do solo e da qualidade da água, o seu efeito retardador de incêndios, entre outros, são vantagens para o Homem dificilmente quantificáveis para o nosso futuro. Quanto valem exactamente…? Seguramente muitos milhões$$$!!!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Importância ambiental do carvalho-negral: solo e água

Recolha de bolotas de carvalho-negral (Quercus pyrenaica) pela turma do 11ºA
Outubro de 2009
Muitos são "repetentes" do projecto "Um milhão de carvalhos para a Serra da Estrela" no ano lectivo 2007/2008

O carvalho-negral (Quercus pyrenaica) desenvolve-se bem em solos soltos, arenosos, de origem granítica ou xistosa e, preferencialmente, ricos em água.

Não tolera solos de origem calcária.

Frequentemente ocorre em lameiros e margens de ribeiras juntamente com outras árvores como, por exemplo o freixo (Fraxinus angustifolia).

A sua presença possibilita a instalação de um estrato herbáceo rico e abundante.

A queda das suas folhas permite uma boa acumulação de matéria orgânica no solo.

Estes factores juntos permitem a manutenção e desenvolvimento do solo, assim como a retenção de água ao longo de todo o ano.

Mais uma vez se salienta a importância ambiental desta árvore. Permite uma grande biodiversidade, mantém o solo, retém água o que permite a recarga constante dos lençóis freáticos, sendo um agente retardador da propagação do fogo.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Importância ambiental do carvalho-negral: interacções intra-específicas


Recolha de bolotas de carvalho-negral (Quercus pyrenaica) pela turma do 11ºA
Outubro de 2009
Muitos são "repetentes" do projecto "Um milhão de carvalhos para a Serra da Estrela" no ano lectivo 2007/2008

Os bosques de carvalho-negral, tal como as restantes formações de árvores autóctones portuguesas, são riquíssimos do ponto de vista da biodiversidade. Inúmeras plantas, animais, fungos (e já agora, protistas e bactérias) instalam-se nestes bosque, constituído ecossistemas de enorme importância ambiental.

Na Serra da Estrela muitas árvores, arbustos e ervas podem ser encontradas juntamente com o carvalho-negral, referindo-se aqui algumas delas:

Árvores:
Carvalho-alvarinho (Quercus robur )
Tranazeira (Sorbus aucuparia)
Castanheiro (Castanea sativa)
Arbustos:
Giesteira-branca (Cytisus multiflorus)
Tojo-gadanho (Genista falcata)
Silva-comum (Rubus ulmifolius)
Sargaço (Cistus monspeliensis)
Urze-vermelha (Erica australis)
Pilriteiro (Crataegus monogyna)
Gilbardeira (Ruscus aculeatus)
Trivisco-fêmea (Daphne gnidium)
Estrato herbáceo:
Dedaleira (Digitalis purpurea)
Estrelamim (Aristolochia longa)
Clinopódio (Clinopodium vulgare)
Feto-ordinário (Pteridium aquilinum)
Escorodónia (Teucrium scorodonia)
Rabo-de-cão (Cynosurus echinatus)

Os carvalhais de Quercus pyrenaica são igualmente ricos em fauna. Muitos animais encontram aí abrigo e alimento, quer nos carvalhos, quer no solo que estas árvores produzem, quer ainda nas outras espécies vegetais que aí se encontram.

Mamíferos, répteis, anfíbios, aves e muito invertebrados dependem dos carvalhais. Um dos melhores exemplos desta interdependência é o gaio (Garrulus glandarius). Este corvídeo tem como principal alimento as bolotas. Recolhe-as durante a época de frutificação (ver blog dia 22/02/2010) e esconde-as um pouco por todo o lado para se alimentar delas durante o resto do ano. É um ave com excelente memória... mas são milhares as bolotas que enterra. Uma parte fica esquecida e pode germinar, nascendo mais carvalhos!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Distribuição do carvalho-negral

Recolha de bolotas de carvalho-negral junto ao aeródromo da Covilhã
Outubro 2009 - Turma 11ºC

O carvalho-negral (Quercus pyrenaica) é uma árvore autóctone de Portugal, Espanha, França (litoral atlântico), Itália e Norte de Marrocos.

Genericamente, pode considerar-se como a árvore mais representativa da região centro-norte interior, encontrando-se um pouco por toda a Beira-Baixa, Beira-Alta, Trás-os-Montes e Alto-Douro, sendo bastante abundante em alguns destes locais.

Pode ainda ser encontrada a Norte do Rio Tejo nas montanhas do Minho e na Serra de Sintra, e também a Sul do Tejo na Serra de São Mamede, Serra de Ossa e Serra de Monfurado.

É em Portugal que se encontra a maior área do carvalho-negral do mundo - um verdadeiro tesouro ambiental a preservar!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

O carvalho-negral (Quercus pyrenaica)

Um carvalho-negral (Quercus pyrenaica) na vertente Este da Serra da Estrela

O carvalho-negral é uma árvore de folha caduca ou marcescente.

As suas folhas são subcoriáceas, com recortes muito profundos, glabras na página superior e pubescentes na página inferior, o que lhes confere um toque aveludado.

A casca é cinzento-escura, muito gretada. Apresenta uma copa ampla e arredondada, podendo atingir os 25 metros.

O período de floração ocorre nos meses de Abril e Maio.

O fruto é uma bolota (ver blog dia 20/11/2009). A frutificação ocorre entre Setembro e Novembro.

Marcescente - secam e ficam na árvore.
Subcoriáceas – consistência um pouco inferior à do couro.
Glabras – desprovido de pêlos.
Pubescentes – revestido por um conjunto de pêlos fracos e densos.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Como semear as bolotas no campo?

Um milhão de carvalhos para a Serra da Estrela
Novembro de 2007 - turma: 9ºC

As bolotas devem ser enterradas na horizontal, a uma profundidade correspondente ao dobro do seu comprimento de modo a ficarem mais protegidas dos predadores (ex.: javalis).

Pode ainda optar-se por colocar 2 a 3 bolotas por cova de modo a que se algum animal as descobrir, alguma se possa salvar (esperemos que não esteja com muita fome!!!).

Obtenha mais informações neste blog (19 de Novembro de 2009).

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Onde semear as bolotas?

Semeando bolotas de carvalho-negral no Covão d`Ametade, integrados no projecto "Um milhão de carvalhos para a Serra da Estrela".
Novembro de 2007 - turma: 9ºC

Para a grande maioria das bolotas a germinação é desencadeada pela luz do sol.


Um local com boa exposição solar facilita a germinação.

No entanto, uma árvore necessita de crescer e de se desenvolver.

Alguns carvalhos crescem melhor em ambientes mais secos (sobreiro, azinheira); outros preferem zonas mais húmidas.

Outros factores como o tipo de solo, temperaturas (máxima, média, mínima), etc. influenciam o desenvolvimento das árvores.

Devemos aprender com os carvalhos da região em que pretendemos semear as bolotas.

Veja a(s) espécie(s) de carvalho(s) que encontra nessa zona.

Recolha bolotas desses carvalhos e não de outros de outras regiões.

Observe onde eles crescem. Semeie as bolotas em locais semelhantes.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Que destino dar às bolotas que não estão em condições para semear?

Bolotas "bichosas"

As bolotas que não estão em boas condições ainda têm alguma utilidade e não devem ir para o lixo.

Devem ser repostas novamente no campo.

Apesar da possibilidade de germinarem ser praticamente nula, continuam a ser um bom “petisco” para muitos organismos.

E enquanto se comerem as “más”, mais sobram das “boas”.