sexta-feira, 23 de setembro de 2011

"O Manual da Bolota 2011" - A rega das bolotas

Hidratação do embrião
Se a sementeira tiver sido efectuada no campo, a água da chuva será a forma natural das sementes permanecerem hidratadas. No entanto, se as semeou num local próximo de si (ex. no seu jardim) poderá regá-las com regularidade.

Se a sementeira for em vasos ou mesmo em viveiro, a rega é absolutamente essencial. Não é necessário encharcar as sementes. Este tratamento não implica a sua germinação mais rápida mas é fundamental para manter alguma (e não demasiada) humidade no solo, o que mantém o conteúdo hídrico da semente. Sem água no seu interior a bolota não se conserva e, chegada a Primavera, não germinará.

Frequência e cuidados na rega
A frequência deste procedimento deve adequar-se às condições do meio – localização, época do ano, permeabilidade do terreno, etc. Importa manter o solo sempre húmido mas não encharcado.
A colocação da água, que não deverá ser calcária, deve ser cuidadosa para evitar o arrastamento da terra. Regue, de preferência, de manhã ou ao final da tarde.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

"O Manual da Bolota 2011" - A sementeira das bolotas

Tipo de solo
Observe o tipo de solo em que os carvalhos de onde recolheu as bolotas vivem. A menos que note sinais de subdesenvolvimento, esse tipo de substrato será indicado.
Os nossos carvalhos autóctones são, de um modo geral, pouco exigentes relativamente à constituição do solo. Com excepção do sobreiro, carvalho-alvarinho, carvalho-negral e carvalho-de-monchique que não toleram terrenos calcários, mesmo em solos esqueléticos algumas espécies sobrevivem.
Para a sementeira em vaso/viveiro não é necessário comprar terra de jardim. Desde que o solo não seja muito compacto e argiloso (neste caso poderá misturá-lo com alguma matéria orgânica) ou demasiado pedregoso e que não retenha água, quase todos os tipos se adequam. Claro que quanto melhor for o substrato maior será o sucesso da germinação e do desenvolvimento das jovens árvores, mas não se esqueça que existem muitos outros factores. O teor de humidade no interior da semente é absolutamente essencial – um bom solo sem pequenas regas frequentes será uma desilusão.

Profundidade de sementeira
As bolotas devem ser semeadas horizontalmente, sem a cúpula, a uma profundidade 1 a 2 vezes o seu comprimento, consoante o local onde se efectua.


Modalidades de sementeira
Recomendamos sempre a sementeira no Outono. Para semear na Primavera é necessário acondicionar adequadamente as sementes, o que no caso das bolotas nem sempre é fácil.
Sugerimos quatro modalidades: recolha e sementeira imediata; selecção para semear no campo; selecção para semear em viveiro; e selecção para semear em vasos.

Sementeira após a selecção
O ideal é semear as bolotas o mais rapidamente possível. Contudo, podem ser acondicionadas no frigorífico, num recipiente que permita que “respirem”, para serem semeadas até algumas (poucas) semanas após a colheita. No entanto, devem ser sempre asseguradas condições que mantenham o embrião - no interior da bolota - com humidade adequada. Se o embrião desidratar não germinará.

Semear no campo
As bolotas semeadas no campo ficam sujeitas à predação por aves e mamíferos. Convém, neste caso, colocar 3 bolotas (sem cúpula) em cada cova, a uma profundidade de 2 a 3 vezes o comprimento da semente, e depois de cobertas com terra, calcar o solo que as cobre. Deste modo ficarão menos acessíveis aos predadores e, caso sejam descobertas, talvez alguma do trio escape.

Tenha atenção ao tipo de solo, orientação das encostas, disponibilidade de luz e água no local. Se possível, semei-as num local que replique as condições que existiam no bosque onde as recolheu. Cada espécie de carvalho ocupa um nicho ecológico próprio.

De um modo geral, evite locais demasiado expostos à luz ou com demasiada sombra, locais muito encharcados ou encharcáveis assim como muito secos. Atente à existência de outras árvores que retirem luz ou que, tal como o eucalipto, não permitem o desenvolvimento de outras plantas.
Por fim, analise a zona de sementeira com a seguinte perspectiva – se considerar que será sujeita a agressões tais como o pastoreio, limpeza de mato, entre outros, não avance com a tarefa, pois os pequenos carvalhos que irão germinar serão destruídos antes de apresentarem um porte arbóreo. Se possível, contacte uma entidade pública (câmara municipal, junta de freguesia, parque natural, entre outros) ou um particular que possua um terreno e que esteja interessado na preservação ambiental.

Semear em viveiro

Se semear no chão num local protegido – viveiro – abra covas em fileira, colocando uma bolota por cova, de profundidade 1 a 2 vezes o seu comprimento. Mantenha algum espaço entre elas de modo a que quando se obtiverem pequenas árvores estas possam ser retiradas com a raiz, individualmente, sem interferirem com as outras (espaçadas 15cm entre si). Convém calcar o solo e no Inverno cobrir o local com folhas ou palha para as proteger da geada.

Semear em vasos

A sementeira em vasos permite a germinação das bolotas em qualquer casa. As pequenas plantas crescem e desenvolvem-se junto a nós, o que para muitas pessoas é motivador.
Os vasos poderão ser qualquer tipo de recipiente. Uma garrafa de plástico ou um pacote de leite serve perfeitamente. Convém abrir-se 2 ou 3 pequenos furos na parte inferior para escoar o excesso de água e colocar estes recipientes numa espécie de tabuleiro estanque que funcione como colector.

A sementeira em vasos tem ainda a vantagem de na altura da plantação as pequenas árvores estarem aptas a serem transportadas. Acresce que estes recipientes podem ser mudados de lugar em qualquer altura, o que pode ser necessário na eventualidade de o sítio escolhido inicialmente não se demonstrar o mais adequado.
Nesta modalidade, enche-se cada recipiente com terra até cerca de 5cm do topo, coloca-se 1 bolota, e tapa-se com terra o equivalente ao comprimento da semente. Junte os diversos recipientes num mesmo local – o “bolotário”.

Localização do “bolotário” ou do viveiro
O local do viveiro ou onde se colocam os vasos deverá ter exposição solar, sem ser excessiva (evitar a exposição a Sul), assim como estar protegido contra os ventos dominantes e animais que possam alimentar-se das bolotas ou dos pequenos carvalhos.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

"O Manual da Bolota 2011" - A selecção das bolotas

A recolha de bolotas no campo nunca é muito selectiva. É preferível apanhar uma grande quantidade do que sermos muito selectivos e no final do dia chegarmos a casa “de mãos a abanar”.

Selecção em casa ou no laboratório
Separe a cúpula do aquénio. Para elegermos as boas sementes devemos colocá-las num recipiente com água. As boas bolotas são como os ovos… ficam no fundo. As que flutuam já não estão em condições.
Seleccione as que ficaram no fundo. Verifique-as novamente eliminando aquelas que apresentam buracos ou fungos (após este procedimento poderá passar directamente para a fase de secagem).

Para “matar o bicho”
Neste momento já tem bolotas muito boas! No entanto, ainda poderá melhorar a sua qualidade. Mesmo que não sejam observáveis buracos, algumas ainda estão infectadas com insectos que as utilizam como alimento.
A sua eliminação é muito simples e não requer qualquer tratamento químico. Coloque-as cerca de 2 horas em água a 45ºC. Lembre-se que quando as colocar nesta água morna a temperatura diminui. Reaqueça-a e inicie a contagem das 2 horas quando a água atingir novamente os 45ºC.

Secagem
Espalhe as sementes de modo a que percam o excesso de água do seu exterior. Pode limpá-las com um pano, mas evite a sua exposição ao sol. Tenha atenção que esta secagem deve ser muito ligeira. Este procedimento não deverá provocar qualquer desidratação no interior das bolotas, servindo apenas para que estas não ganhem fungos enquanto não são semeadas ou para que possam ser colocadas em pacotinhos de papel para serem distribuídas.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

"O Manual da Bolota 2011" - A selecção das árvores

Escolha as espécies autóctones

A melhor forma de seleccionar a(s) espécie(s) a semear é pela observação local. Os carvalhos que encontramos serão, por princípio, característicos da região. São eles que nos fornecem facilmente as bolotas para semear e estão, por selecção natural, melhor “adaptados” às condições ambientais desse meio.
Cuidado com as espécies exóticas
Em alguns locais existem plantações de espécies introduzidas (ex: Quercus rubra – carvalho-americano, entre outros) que, por serem exóticas, interferem negativamente nos ecossistemas nacionais. Estas espécies não deverão ser utilizadas.
Idade e saúde dos carvalhos
Prefira sementes de árvores não muito jovens nem demasiado velhas.  Não apanhe bolotas de árvores doentes. Se possível, recolha-as de várias árvores, pois a variabilidade genética será maior.
Carvalhos autóctones
Espécies de carvalhos autóctones de Portugal continental:
- Quercus coccifera (carrasco)
- Quercus suber (sobreiro)
- Quercus ilex (azinheira)
- Quercus canariensis (carvalho-de-monchique)
- Quercus robur (carvalho-alvarinho)
- Quercus pyrenaica (carvalho-negral)
- Quercus faginea (carvalho-cerquinho)

No mapa seguinte encontram-se as zonas de predomínio das espécies arbóreas mais significativas.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

"O Manual da Bolota 2011" - A recolha das bolotas

Constituição de uma bolota
A bolota é o fruto dos carvalhos (Quercus sp.). A parte superior chama-se cúpula que rodeia, parcialmente, uma única semente - um aquénio.

Época de recolha das bolotas
A melhor época para a sua recolha é a partir de meados de Setembro até meados de Novembro, altura em que os carvalhos se encontram em plena produção de bolotas, as quais apresentam um tom acastanhado quando maduras.

As bolotas que se podem recolher
Recolha apenas bolotas maduras, mas seja um pouco selectivo. As melhores são as que apresentam um aspecto saudável, com bom calibre e sem sinais de “bicho” ou fungos. Bolotas demasiadamente escuras ou leves, quando comparadas com outras da mesma espécie, devem ser evitadas. Mas não seja cuidadoso em demasia. Nesta fase, privilegie o número relativamente à quantidade. Em casa ou no laboratório irá proceder à grande selecção (ver “Selecção das bolotas”).


Recolha da árvore ou do solo
As bolotas não têm que ser recolhidas directamente da árvore, apesar destas, quando maduras, serem as mais indicadas. Se assim fosse, muitas seriam colhidas imaturas e a quantidade seria muito escassa, pois as árvores mais produtivas são bastante altas. Pode recolhê-las directamente do chão, desde que não tenham caído há demasiado tempo - após uma noite ventosa encontram-se muitas acabadas de cair. Nesta fase, não perca tempo a separar o aquénio da cúpula. Deixe isso para mais tarde. Se recolher bolotas de várias espécies, a cúpula poderá ser a única forma de as diferenciar.

domingo, 18 de setembro de 2011

"O Manual da Bolota 2011" - O Dia Mundial da Bolota

A sua origem

Sem a influência do Homem, grande parte do nosso país seria um enorme carvalhal. Quando o percorremos, de Norte para Sul ou do litoral para o interior, observamos, com enorme preocupação, que na maioria do território pouco ou nada existe destas florestas autóctones.
Foi com esta preocupação que iniciámos uma série de actividades de recuperação ambiental.
O Dia Mundial da Bolota, oficialmente, ainda não existe. Este nome arrojado surgiu para chamar a atenção para este problema, sendo um pretexto para a união de esforços no sentido da preservação e recuperação da Natureza e educação ambiental.
Comemorámos, em 2009, na Escola Secundária Quinta das Palmeiras, na cidade da Covilhã, o 1º Dia Mundial da Bolota. E ainda não conseguimos parar!
O blog “bologta: a bolota que tem um blog”
Este blog funciona como um ponto de encontro através do qual os participantes divulgam as actividades realizadas e a realizar, partilham informações da nossa flora e trocam experiências sobre a germinação e propagação de bolotas e carvalhos, encontrando-se disponível para todas as pessoas.

Comemoração do “Dia Mundial da Bolota”
Durante este dia distribuímos uns pacotinhos com bolotas de carvalhos autóctones de Portugal aos alunos, funcionários e professores da nossa escola.
Estes pacotinhos de papel, com cerca de 15 a 20 bolotas, contêm impressas instruções para a sementeira e germinação destas sementes.
A sementeira pode ser realizada no campo ou em casa, em pequenos vasos, envolvendo, preferencialmente, todas as pessoas lá de casa. Assim, no ano seguinte, todos terão pequenos carvalhos para plantar.
Mas este dia pode ser comemorado de qualquer outra forma (ou mesmo noutra data). O importante é que façamos algo que contribua para a protecção e requalificação da nossa floresta autóctone.
Adesão ao “Dia Mundial da Bolota”
Um movimento conjunto é mais forte e abrangente do que uma iniciativa individual. Só assim faz sentido aderir ao Dia Mundial da Bolota.
Para participar basta que nos contactem, com alguma antecedência, para o seguinte e-mail: bologta@gmail.com. Contactá-los-emos logo de seguida.
Sigam-nos também em http://bologta.blogspot.com.
Uma iniciativa independente
O Dia Mundial da Bolota é uma criação do autor deste manual, tendo surgido em 2009 na Escola Secundária Quinta das Palmeiras (Covilhã).
É uma iniciativa inteiramente independente que não movimenta qualquer quantia monetária, encargo ou obrigatoriedade de fidelização. O tipo de actividades a implementar fica ao critério dos aderentes, podendo eles próprios criar novas ideias e estratégias que enriqueçam este dia. Pedimos apenas que partilhem connosco o que fizeram e que permitam a divulgação no blog “bologta: a bolota que tem um blog” para que esta iniciativa tome, de ano para ano, uma maior expressão e relevância.

sábado, 17 de setembro de 2011

"O Manual da Bolota 2011" - Introdução

Pensar global, agir local…
Sustentabilidade ambiental…
Captura de carbono…
Defesa da floresta autóctone…
Protecção da Natureza…
Educação ambiental…
Como abordar estas preocupações ambientais individualmente, numa escola ou noutra organização? Que actividades podem mobilizar uma comunidade e contribuir para uma efectiva mudança local?
Este manual pretende ser um pequeno mas precioso auxiliar para todos aqueles que queiram realizar uma série de actividades simples  de conservação da Natureza que fomentem, efectivamente, uma nova atitude relativamente ao nosso património natural.
A presente edição foi concebida com base na nossa experiência assim como numa aprofundada pesquisa bibliográfica. Optámos por elaborar um manual sucinto e de fácil consulta, ao invés de um trabalho mais extenso sobre carvalhos e bolotas e a sua propagação. No entanto, já está em curso a elaboração de um guia mais aprofundado.
O manual da bolota 2011 está longe de estar completo. Deverá servir para uma primeira implementação deste tipo de actividades. O local onde vivemos e as espécies que utilizamos obrigam-nos a adoptar técnicas e processos específicos. Nesta aprendizagem surgem novas soluções que, com a vossa colaboração, constarão certamente no manual da bolota 2012.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

"O Manual da Bolota" e o "Dia Mundial da Bolota"

Pela terceira vez vamos comemorar o "Dia Mundial da Bolota"! Por isso, não se esqueçam de assinalar no vosso calendário:

Dia Mundial da Bolota - 10 de Novembro

As duas primeiras "comemorações" decorreram apenas no local onde surgiu esta ideia, na ES Quinta das Palmeiras, na Covilhã.
Este ano queremos que mais escolas, organizações ou pessoas em nome individual também participem.
Para auxiliar os "aderentes" que se iniciem neste projecto, criou-se o "Manual da Bolota" que será disponibilizado neste blog do seguinte modo:
- Publicação faseada do manual em "posts" (a realizar ao longo dos próximos dias);
- Disponibilização em PDF da versão integral do manual (a realizar após a publicação dos "posts" referidos).
A partir de amanhã inicia-se a divulgação do "Manual da Bolota"

Para a adesão a esta iniciativa, dúvidas e esclarecimentos contactem-nos pelo seguinte e-mail:

Adiram a esta iniciativa. Juntos esta ideia terá maior expressão.

O autor desta iniciativa e deste blog
Jorge Carecho

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Um ano com muitas bolotas!

Já olharam para os carvalhos neste final de Verão? Aqui na Covilhã os carvalhos-negrais estão carregadinhos de bolotas! Era de certa forma espectável. Estas árvores são "aneiras", ou seja, têm picos de produção a cada dois anos. Em 2009 a produção foi abundante, ao contrário do que sucedeu no ano transacto.
Carvalho-negral em plena produção - Covilhã, Setembro de 2011

Por isso vão juntando garrafas de plástico e pacotes de leite já utilizados. Este ano necessitam de muitos vasos para tantas (e boas, esperemos) bolotas.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Que agradável surpresa!!

Muitas pessoas dizem que as férias são demasiadamente longas e que há tempo para tudo e mais alguma coisa, o que não é totalmente verdade. Passamos pouco tempo em casa e, no pouco tempo que lá estamos, começamos a ganhar rotinas. Parece tudo igual, mesmo que o tempo passe.
A mim aconteceu-me isso. Ganhei a rotina de todos os dias ir dar uma 'espreitadela' aos carvalhos. Pareciam-me sempre iguais, do mesmo tamanho, parecia que tinham estagnado (o que nunca acontece, são seres em crescimento). Mas bastaram 3 ou 4 semanas longe dessa rotina para achar uma diferença abismal (um pouco exagerado). O que é certo e verdade é que desde a última vez que vi os carvalhos parecem-me outros.
Os mais pequenos têm mais folhinhas e o maior, que tem mais de 30cm, cresceu cerca de 10cm, o que, para meu espanto, é uma grande diferença!


terça-feira, 26 de julho de 2011

Se for passear à floresta...

... siga as indicações (retiradas do "Portal da Segurança" do Ministério da Administração Interna):

- Não deite fósforos ou cigarros para o chão.
- Não deite pela janela do automóvel cinzas ou pontas de cigarro.
- Leve a refeição preparada.
- Não acenda fogueiras. As fogueiras só podem ser feitas nos locais próprios, e com os seguintes cuidados especiais:
  • remova as folhas secas;
  • ponha um círculo de pedras em redor do fogo;
  • molhe bem o local à volta;
  • mantenha por perto um recipiente com água;
  • vigie-a atentamente;
  • apague-a muito bem com água e terra;
  • nunca faça fogueiras em dia de muito vento;
  • não abandone na floresta nenhum lixo, incluindo garrafas de vidro.
http://www.portalseguranca.gov.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=53:incendios-florestais-prev&catid=127:inc-florestal-prot-civil&Itemid=57

terça-feira, 12 de julho de 2011

Um resistente a mais de 1400 metros de altitude.

Serra da Estrela... a montanha mais alta de Portugal continental. Assim que a subimos, as fragas e rochas abundam cada vez mais na paisagem. As árvores, pelo contrário, parecem desaparecer. E nós, conformados com este desfecho, talvez nunca nos tenhamos questionado... como seria esta serra sem nós?
Após séculos de pastoreio intensivo e com as consequentes queimadas sazonais, com a sobreexploração continuada de recursos florestais e com a falta de ordenamento territorial que assolou o nosso país nestas últimas décadas, ninguém suspeitaria que, especialmente entre os 800 e os 1600 metros de altitude, deveria ser uma árvore a dominar a paisagem! Surpreendidos? Desconfiados? Só se nos esquecermos que a nossa natureza é a de desafiar continuamente a Natureza.
Quando subirem esta serra imaginem-na parcialmente coberta de carvalhos-negrais. Mas o Homem e os seus animais de pastoreio (e mais recentemente a negligência), parecem ter sacudido todos os troncos, ramos e folhas destas árvores do maciço granítico.
Carvalho-negral junto à estrada nacional 338, perto da entrada para o Covão d`Ametade

Mas algumas árvores autóctones, por resistência ou apenas obra do acaso, teimaram em ficar. Este carvalho-negral, um dos últimos no andar altitudinal intermédio da Estrela, não é o mais belo da espécie. É, certamente, o mais solitário destas montanhas, em que os carvalhais de altitude já nem na mais anciã memória remanescem.
Já que esta serra tem sido tantas vezes transformada nuns "Pirinéus à porituguesa", seria bom relembrar que o nome desta espécie - Quercus pyrenaica - reflete a sua abundância nesta cadeia monatnhosa... não vá alguém lembrar-se que esta árvore não é suficientemente turística ou que o facto de as suas folhas caírem para a estrada, ou outro pensamento brilhante qualquer, lhe dite a sua sentença final.
Um carvalho não faz uma floresta... mas faz-nos perguntar do que é feito delas!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

20.000 visitantes!!!

Hoje, dia 29 de Junho de 2011, o nosso contador de visitantes atingiu as 20.000 visualizações (os acessos do administrador e restantes autores não são contabilizados).
Este blog foi criado no dia 19 de Novembro de 2009. No entanto, a contagem das visualizações de página iniciou-se apenas a 1 de Julho de 2010, ou seja, há cerca de 1 ano.
A maioria dos acessos provém de Portugal (cerca de 13.000) e do Brasil (cerca de 5.600). Muitos visistantes contactam-nos através do nosso e-mail, procurando informações sobre a germinação de bolotas, reflorestação com carvalhos ou como implementar projectos de educação ambiental em escolas.

20.000 visiatntes em cerca de 1 ano

A todos que nos consultam, e aos quais esperamos ser úteis, o nosso muito obrigado!

sábado, 25 de junho de 2011

Reenvasamento dos carvalhitos

No nosso bolotário alguns dos bolotões foram o berço de mais do que um carvalhito. Como este ano não recolhemos muitas bolotas, pois os carvalhos-negrais da Covilhã não produziram muitas, e de modo a que cada carvalhito tenha o seu próprio vaso de onde poderá retirar mais nutrientes e água, procedemos ao seu reenvasamento, em vasos (reutilizámos garrafas de 1,5l) em que aumentámos o volume de solo.

Reenvasamento de carvalhos

Este procedimento teve ainda outro objectivo... durante este Verão as raízes terão mais solo e, como tal, terão um maior reservatório de água, tendo menos hipótese de desidratação. Quando os plantármos na Serra da Estrela, no Outono, este solo extra servirá também como elemento estabilizador que deverá permitir uma melhor aclimatização das pequenas árvores ao seu novo meio.

Manipulação cuidadosa das pequenas árvores

No entanto há que ter alguns cuidados no reenvasamento. As raízes deverão ser manipuladas com muito cuidado. Mesmo que aparentemente não parecem ocorrer estragos, grande parte das estruturas funcionais destes órgãos são microscópicas, sofrendo sempre danos com estes procedimentos.

Malta alegre e trabalhadora!

Outro aspecto absolutamente fundamental é assegurar que as raízes fiquem o menor tempo possível expostas ao ar (apenas deverão ficar expostas as raízes quando pretendemos separar árvores que se desenvolveram no mesmo recipiente). Devem ser colocadas em terra logo que possível e imediatamente regadas. Se ocorrer uma desidratação severa, que numa raíz exposta ao ar ocorre em pouquíssimos minutos, a planta poderá morrer.

Estes reenvasadores cumpriram todas as normas de higiene: bata e luvas para um trabalho mais asseado!

Resumindo, uma manipulação cuidadosa mas rápida e uma boa hidratação possibilitam que o reenvasamento seja benéfico, proporcionando um habitat onde os carvalhitos mais se desenvolverão muito melhor.

O nosso bolotário, agora com mais vasos

sábado, 18 de junho de 2011

Hoje finalmente tive um tempinho para tratar das bolotas.

Depois da aula de Terça-feira, em que estivemos a colocar os pequenos carvalhos em vasos maiores para que possam crescer mais 'saudáveis', resolvi fazer o mesmo cá em casa. Como tinha vários carvalhos a desenvolver-se numa mesma garrafa cortada ao meio, resolvi separá-los e colocá-los cada um em seu vaso ou garrafa, assim as suas raízes nao têm de andar a 'chocar' e a 'lutar' por água ou nutrientes, para além de que têm mais espaço estando sozinhas.

Deixo a dica e façam todos o mesmo, assim, em Setembro, teremos mais e melhores carvalhos para plantar na Serra da Estrela.