quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Semear bolotas ou plantar carvalhitos? Qual a melhor opção?

Já por aí andam as primeiras bolotas! Mais alguns dias ou semanas, dependendo da espécie e do local, e podemos começar a nossa safra.

Uma questão é-nos colocada frequentemente... será melhor semear as bolotas no campo ou em vasos?

A resposta depende do nosso objetivo. Vejamos...

A sementeira em vasos permite-nos seguir o processo de germinação das bolotas e o desenvolvimento dos carvalhitos. Há vantagens pedagógicas - acompanhar estes processos é motivador e possibilita a realização de algumas atividades experimentais - mas também há vantagens do ponto de vista da produção florestal. Se assim não fosse, não existiriam pequenas árvores em viveiros. O desenvolvimento inicial em vasos confere alguma proteção às jovens plantas contra condições meteorológicas e climáticas desfavoráveis, para além de evitar a ação de predadores. Dá-nos também a certeza e a satisfação, na altura de plantar, que já temos árvores num determinado local.

Este carvalhito tem três anos.
Foi plantado com cerca de um ano de idade.

Semear as bolotas diretamente no campo deixa-nos sempre um pouco mais apreensivos... será que germinarão? Serão comidas? Será um ano com humidade suficiente? Além disso, deixá-las à sua sorte nem sempre nos permite a monitorização do crescimento dos carvalhitos. No entanto, também não teremos o trabalho de semear, cuidar e transplantar, como acontece quando recorremos ao viveiro. E é muito mais fácil semear várias centenas de bolotas do que plantar algumas dezenas de carvalhos. A Natureza encarregar-se-à de traçar o destino dos carvalhitos, o que poderá dar melhores ou piores resultados.

Este carvalhito tem apenas dois anos.
Resultou da germinação de uma bolota semeada diretamente na terra.

Mas haverão diferenças no crescimento e desenvolvimento de caravalhitos semeados ou plantados?

A resposta a esta questão depende de fatores tais como as condições do local da sementeira/plantação, da presença ou ausência de predadores e, como em tudo, de muitos outros aspetos que nem sempre podemos controlar (aquilo a que vulgarmente chamamos "sorte"). Mas, de um modo geral, as árvores que se desenvolvem a partir de sementes colocadas diretamente no solo tende a crescer melhor e mais depressa.

Uma possível explicação para este facto poderá resultar do desenvolvimento das raízes. A sementeira direta permite um crescimento da raíz sem constrangimentos. Nos carvalhos - árvores de raíz muito profunda - ainda antes de se observar qualquer parte aérea já a raíz poderá ter vários centímetros (ou mesmo decímetros) de comprimento. Enquanto houver reservas nutritivas na semente, a raíz poderá atingir zonas mais profundas em busca de água e nutrientes inorgânicos, assegurando um crescimento mais rápido do pequeno carvalho. Também em épocas desfavoráveis, como a maior parte da biomassa da árvore se encontra profundamente no solo, as condições adversas superficiais não influenciarão tanto a raíz que se encontra num meio mais estável. Acresce ainda que o transplante de árvores, por mais cuidadoso que seja efetuado, provoca sempre danos nas raízes, o que retarda o crescimento da planta. Por último, o estabelecimento de associações simbióticas com outros seres vivos - nomeadamente a formação de micorrizas (associações entre as raízes e micélios de fungos existentes no solo - serão mais facilmente estabelecidas com árvores que resultaram da germinação direta de sementes na Natureza.


Este carvalhito tem cerca de três anos.
Como permaneceu em vaso, o seu desenvolvimento nem sempre foi o mais saudável.

Como comparação, as três imagens que aqui apresentamos são reveladoras do desenvolvimento dos carvalhos. Observa-se, claramente, um melhor desenvolvimento no que resultou de sementeira direta. O carvalho que permaneceu em vaso é o que se apresenta mais débil (as imagens são representativas das dezenas de carvalhos que temos nestes três condições).

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Onde encontrar um carvalho-de-monchique?

Ao longo dos últimos meses fomos contactados por várias pessoas no sentido de disponibilizarmos bolotas de Carvalho-de-monchique (Quercus canariensis).

Apesar de termos alguns exemplares desta espécies no nosso bolotário (Carvalho-de-monchique no nosso bolotário), o seu estado "infantil" ainda não lhes permite a frutificação.

Notamos, com  agrado, que começa a haver um certo interesse na utilização desta árvore como ornamental. Desconhecemos ainda se é viável a sua plantação em zonas mais setentrionais do nosso país, mas devido à sua raridade (Habitat e distribuição) e ao facto de ser um carvalho autóctone de Portugal (Carvalho-de-monchique (carvalho-das-canárias)), parece-nos uma escolha de muito maior valor que outras espécies exóticas e, frequentemente, muito mais bonita. Para além do seu porte acentuado, a sua folha, (Caraterísticas da folha) aparentemente mais semelhante à de um castanheiro do que a um carvalho, e a sua raridade fazem desta espécie uma árvore a eleger para qualquer jardim. Talvez por desconhecimento (ou por não se dar bem com o frio?) esta planta não se encontre no leque de escolhas dos viveiristas.

Então, onde se podem encontrar estas magníficas árvores? A resposta não podia ser mais óbvia... na Serra de Monchique (e não nas ilhas Canárias, como é sugerido pelo seu nome científico - mas isso deveu-se, provavelmente, a um erro de etiquetagem na sua descrição botânica inicial).

Um pouco por toda esta serra podem ser encontrados espécimes destes carvalhos, mas um dos objetivos deste post é facilitar a busca destas plantas...

Exemplar de Carvalho-de-monchique (árvore mais à direita na imagem) misturada com sobreiros

... portanto, aqui ficam umas indicações mais específicas:

Saíndo da vila de Monchique (Algarve) pela estrada nacional 237, em direção à localidade de Alferce, percorra cerca de 1400 metros desta estrada. Após uma curva para a esquerda relativamente larga, surge um Carvalho-de-monchique de grande porte do lado direito. Esta árvore encontra-se classificada e, se a incúria ou o dolo não tiver atuado, está assinalada com uma pequena placa na sua base.

Localização do exemplar de Carvalho-de-monchique classificado

Vista de rua do google maps do exemplar de Carvalho-de-monchique classificado
(no sentido Monchique-Alferce)

Apesar deste ser, provavelmente, o maior exemplar desta espécie, muitos outros ainda existem nesta serra... mas são certamente poucos e merecem toda a nossa atenção e conservação. Se recolher bolotas desta espécie, tenha o cuidado para não interferir com o ecossistema e não pisar os pequenos carvalhitos que por lá vão crescendo.

Se a sua viagem ao Algarve for numa época em que não há bolotas, pode recolher alguns carvalhitos, mas tenha atenção ao seguinte... repare que as bermas das estradas são, frequentemente, limpas para manutenção destas vias. Nesses locais não há possibilidade de crescimento de uma árvore até ao seu estado adulto. Recolha, portanto, os pequenos exemplares apenas em locais onde os carvalhitos não terão qualquer possibilidade de desenvolvimento e nunca num local onde poderá atingir a maturidade. Deste modo, o ato de recolha não tem qualquer impacto no ecossistema.


Links de interesse:
Árvores classificadas (ICNF)
Árvores centenárias (C. M. Monchique)
Carvalho-de-monchique (blog árvores do sul)
Carvalho-de-monchique (blog dias com árvores)










segunda-feira, 28 de abril de 2014

Os nossos "Amigos da Natureza" do Barreiro

Já há muito tempo que estamos em dívida com "Os Amigos da Natureza" do Agrupamento de Escolas Álvaro Velho (Lavradio, Barreiro).


Este post não se deve apenas ao facto de serem das escolas mais fiéis e entusiastas na comemoração do Dia Mundial da Bolota e sua divulgação - o que por si só merece que saiamos da inércia crónica que nos atacou nestes últimos tempos e possamos escrever umas merecidas linhas de texto - mas para divulgar um excelente exemplo de uma escola em que continuamente, ano após ano, têm sido desenvolvidos inúmeros projetos de educação ambiental.

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Deixamos aqui um link para o blog do clube "Os Amigos da Natureza". Nele poderão ter uma noção de tudo aquilo que fazem... ou melhor, do muito e bom que fazem...  e, quem sabe, tirar algumas ideias para que mais "Amigos da Natureza" surjam um pouco por todo o lado. Parabéns aos "Amigos da Natureza" e à professora Helena Pires, que tem permitido a continuidade deste projeto ao longo do tempo.

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Agora que já todos estamos entusiasmados com tantas e tão boas atividades, sugerimos que vejam o seguinte vídeo...

... e que façam um merecido like... e que o partilhem com todos os vossos amigos... da Natureza!

terça-feira, 22 de abril de 2014

Bolotas preguiçosas... só para escrever.

Temos andado um pouco preguiçosos... mas apenas para escrever no blog! De resto, as nossas atividades continuam.

O nosso bolotário está cheio de bolotas à espera de germinar. É curioso notar que em anos de maior pluviosidade e temperaturas mais amenas elas parecem atrasar a germinação da sua parte aérea. Este ano ainda poucas deram sinais... mas é tudo uma questão de tempo.

Aproveitámos o inverno para reenvasar alguns carvalhos. O maior volume de solo proporcionará um maior crescimento (assim esperamos) de modo a ter sempre alguns exemplares de espécies autóctones para poder expor e divulgar os principais constituintes da nossa floresta... um carvalhal móvel.



Exposição durante o "Dia da árvore" na biblioteca

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Florestar Portugal 2013 - plantação e sementeira de flora autóctone

No dia 23 de novembro - próximo sábado - decorrerá por todo o país mais uma edição de "Florestar Portugal".

Para aderirem a esta iniciativa basta que se inscrevam como voluntários e, no dia 23de Novembro, ponham mãos à obra para que o nosso ambiente fique um pouco melhor.

Ficam aqui algumas ligações para esta importantíssima iniciativa:

http://www.amoportugal.org

http://www.amoportugal.org/pt/florestarportugal2013


Para quem reside na Covilhã, o registo como voluntário pode ser feito em:

http://www.amoportugal.org/pt/local/concelho/0503

Bologta vai contribuir com cerca de 130 carvalhos do nosso bolotário e mais de 4.000 bolotas que ainda temos guardadas de modo a continuar a reflorestação das zonas ardidas na Serra da Estrela.

Participem!!!

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Caminhada do Dia Mundial da Bolota na Covilhã - imagens para recordar

Ao sair de casa de manhãzinha, não fazia ideia quantas pessoas apareceriam para a caminhada. Apesar do amanhecer frio, o céu prometia um dia de São Martinho. No entanto, era domingo, manhã cedo, e não havia uma lista de inscrição... a dúvida persistia.

Ao chegar, pelas oito e meia, já o aglomerado de gente era superior ao esperado... e continuaram a aparecer mais! Distribuídas as bolotas e iniciada a caminhada, a extensão dos participantes ao longo do caminho permitiu ter uma melhor percepção do seu número. As contas, por estimativa, eram muito aproximadas, independentemente do contador.

Cerca de 150 pessoas trocaram o quentinho da cama por uma manhã a semear bolotas. Superou, sem qualquer dúvida, qualquer expectativa, por melhor que fosse.

Muitos alunos trouxeram alguém da família... um irmão... o pai e a mãe... alguns mesmo a família toda! Chegaram mesmo grupos organizados, já com as suas próprias bolotas para semear!

Ao longo do percurso, e principalmente nas zonas ardidas, rapidamente as cerca de 10.000 bolotas foram, cova após cova, ganhando o seu novo e definitivo lar. Quantas germinarão? A maioria, certamente, pois os animais gulosos não andam por estas zonas cinzentas.

A todos que organizaram, divulgaram e participaram... muito obrigado! Para o próximo ano haverá mais... quem sabe, também com feijões (feijoada) ou com castanhas (magusto).

Ficam aqui umas fotografias para recordar...












 







 


Os resultados da prova de orientação serão publicados, neste post, brevemente.

Se tiverem fotografias da caminhada, e quiserem partilhar, enviem-nas para bologta@gmail.com

domingo, 10 de novembro de 2013

Hoje é o Dia Mundial da Bolota

Celebra-se hoje o 5º Dia Mundial da Bolota.

Esta iniciativa foi criada na Escola Secundária Quinta das Palmeiras (Covilhã) em 2009. Ao longo destes anos já foram distribuídas e semeadas vários milhares de bolotas de carvalhos portugueses como forma de comemoração desta data.


Apesar de ainda não estar intenacionalizada, esta iniciativa já se propagou um pouco por todo o país.

Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Guarda, Castelo Branco, Santarém, Setúbal são alguns dos distritos em que escolas e outras instituições (escuteiros, autarquias, etc.), assim como muitas pessoas, individualmente ou em família, estão a semear bolotas e a contribuir para a recuperação da floresta autóctone.

A todos que participam e que tornam esta iniciativa possivel... o nosso muito obrigado!

sábado, 26 de outubro de 2013

Caminhada do Dia Mundial da Bolota na Covilhã

Após 4 anos a distribuir bolotas a alunos, funcionários e professores da nossa escola, o Dia Mundial da Bolota será comemorado de um modo diferente na cidade da Covilhã.



O grande incêndio deste verão na encosta Este da Serra da Estrela  destruiu grande parte da floresta aí existente.

A Escola Secundária Quinta das Palmeiras e a Câmara Municipal da Covilhã associaram-se no sentido de organizar e promover uma atividade de sementeira de bolotas, contribuindo, deste modo, para a recuperação da floresta autóctone em redor da cidade, em que todos poderão participar.

No dia 10 de Novembro, haverá uma caminhada aberta a toda a população (gratuita e sem obrigatoriedade de inscrição prévia*), e uma atividade de orientação para alunos desta escola**.

*Apesar de não haver obrigatoriedade de inscrição, agradecemos que nos comuniquem antecipadamente a vossa participação de modo a podermos prever o número total de participantes. Esta comunicação poderá ser feita por e-mail, para bologta@mail.com, ou telefonicamente para o número 275320580 (E. S. Quinta das Palmeiras)

**Aos alunos da escola será distribuido um "flyer" com informações da atividade. No verso encontra-se a autorização que deverá ser assinada pelo encarregado de educação e entregue ao professor de Ciências Naturasi/Biologia ou ao professor de Educação Física.

Percurso da caminhada

Aspetos organizativos da caminhada e atividade de orientação:
  • Concentração dos participantes:  8h30min., junto ao estádio de futebol Santos Pinto.
  • Início das atividades: 9h00min.
  • Final das atividades (previsão): 12h30min.
  • Tipo de percurso: circular, realizado em estradas e caminhos florestais.
  • Distância e grau de dificuldade: cerca de 7km;dificuldade fácil/média.
  • Material recomendado: roupa e calçado adequado ao percurso e às condições meteorológicas; pequena pá de jardim ou instrumento equivalente para realizar a sementeira; lanche (se necessário). 

Para saber mais... estejam atentos às novidades neste blog e em www.quintadaspalmeiras.pt

Flyer a distribuir aos alunos

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

O manifesto da bolota (III) - a regressão dos carvalhais

Atualmente, a destruição das florestas tropicais encontra-se a um ritmo avassalador, com consequências dramáticas sobejamente conhecidas. Por estranho que nos possa parecer, fenómeno semelhante ocorreu na Europa central e do sul, e ao longo da parte meridional da América do Norte. As civilizações ocidentais, onde se encontram os países mais ricos e desenvolvidos, edificaram-se em zonas outrora ocupadas por florestas em que a maioria das espécies se reproduzia a partir da germinação de uma semente muito particular, a bolota. Estes carvalhais, quer fossem de folha caduca ou persistente, atingissem porte arbóreo acentuado ou não ultrapassassem o tamanho de um arbusto, dominavam a maioria destas regiões. E hoje, o que sobrou desses ecossistemas? Apesar da velocidade da regressão destes biomas não ser comparável ao ritmo da desflorestação observada nos trópicos, a redução total de área dos bosques e florestas das regiões temperadas é muito, mas mesmo muito superior ao ponto de que os poucos carvalhais existentes não serem ecossistemas naturais, pois de alguma forma já sofreram intervenção do Homem.


A interferência humana nos carvalhais primitivos já ocorreu, e este facto é irreversível. Mas não se pense que a ocupação antrópica é necessariamente um fator negativo para os ecossistemas. Os montados, onde o sobreiro e a azinheira dominam, são um dos melhores exemplos em que árvores, sustentabilidade ambiental e atividades humanas se conjugam quase na perfeição. No entanto, a inexistência de carvalhais naturais não deixa de ser revelador da extensão da intervenção humana. Do mesmo modo, também só o Homem poderá inverter, ou pelo menos, compensar parcialmente o seu impacto na natureza e permitir que os carvalhais autóctones recuperem um pouco da sua extensão original. Os benefícios diretos no ambiente, tais como o aumento da biodiversidade, melhores recursos hídricos, a recuperação dos solos, a diminuição do aquecimento global, da poluição atmosférica e do risco de incêndio são algumas consequências diretas extremamente benéficas para nós. Basta apenas que cresçam mais carvalhos.

Todos os carvalhos se desenvolvem a partir de uma bolota. É da germinação de muitas destas sementes que se formam os carvalhais. Se queremos participar na conservação da natureza, necessitamos de recuperá-los. Basta para isso semearmos bolotas. Simples, não é? Bastaria apenas um dia por ano em que recolhêssemos e semeássemos bolotas de espécies autóctones, diretamente no campo, ou as levássemos para casa e as colocássemos em vasos. No ano seguinte teríamos carvalhos para plantar.


Os diferentes biomas que constituem a biosfera encontram-se interligados e interdependentes. A melhoria num dos seus componentes tem efeitos positivos e multiplicativos em todos os outros. O inverso também acontece. Apesar da grande capacidade regenerativa da natureza, os equilíbrios naturais globais encontram-se interligados, de um modo que a ciência ainda não conseguiu desvendar a sua total complexidade. Os carvalhos não existem em todos os continentes. Apenas no hemisfério norte, essencialmente em regiões temperadas e mediterrâneas, é que ocorrem naturalmente as plantas do género Quercus sp. Contudo, uma parte significativa da população mundial vive nestes locais. Para muitos, é aí que nós vivemos, e é aí que a nossa ação pode ser decisiva e é aí que podemos fazer algo para nós, por nós e pelos nossos, os de hoje e os de amanhã. E quase que basta apenas um dia. Um dia em que a nossa insignificante ação local, na força que a união faz, seja um dia verdadeiramente mundial. Esse dia pode ser qualquer um… mas também pode ter data marcada. Vamos fazer do dia 10 de novembro um dia de contributo para o nosso mundo. Vamos transformá-lo no Dia Mundial da Bolota.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

O manifesto da bolota (II) - o estabelecimento de civilizações

Apesar da vastidão do nosso planeta, apenas parte é habitável. Necessitamos de terra firme e de temperaturas não demasiadamente extremas para podermos estabelecer populações em larga escala. Sendo o Homem o único animal que consegue viver em todos os biomas, apenas em alguns locais se edificaram verdadeiras civilizações e ocorreu um profundo aumento populacional. Curiosamente (ou não), quase todas emergiram em áreas semelhantes, desenvolvendo-se onde haviam bosques e florestas.


Observando a distribuição atual da população humana, as grandes concentrações ocorrem na Índia e sudeste asiático, nas zonas tropicais da África e América, na Europa e restante região mediterrânea e em algumas regiões do continente norte-americano. Quando cruzamos estes dados com um qualquer mapa dos principais biomas, a distribuição parece tirada a “papel-químico” com a das florestas tropicais, das florestas de caducifólias e do bosque mediterrâneo. Onde há árvores, ou melhor, onde havia, e temperaturas não demasiadamente baixas, é onde se encontram os grandes aglomerados humanos.

Para compreendermos melhor esta relação, talvez seja necessário pensarmos naquilo que uma população humana precisa para sobreviver e se expandir: água, alimento, abrigo, combustível, medicamentos e algumas matérias-primas. Tudo isto pode ser retirado das árvores? A resposta é sim! Mas a floresta proporciona-nos muito mais recursos que aqueles que se obtêm diretamente das árvores. Elas são o suporte da biodiversidade. Delas dependem muitos animais, plantas, fungos, protistas e bactérias que o homem utiliza diariamente. São também as florestas que proporcionaram muito do atual solo agrícola e permitem uma maior fiabilidade e previsibilidade dos ciclos hidrológicos, fundamentais para o estabelecimento e crescimento de qualquer comunidade. Em suma, foi nestes bosques e florestas que o Homem encontrou os recursos necessários à sua sobrevivência. O reverso da medalha foi a drástica redução e fragmentação destes biomas. (Continua...)

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O manifesto da bolota (I) - a dependência de recursos naturais

E se por alguma razão, após a expansão marítima dos povos europeus nos séculos XIV e XV, a população mundial tivesse sofrido um aumento exponencial? Certamente que a utilização de recursos naturais durante esse período teria sido muito mais intensa. E se na época renascentista as civilizações ocidentais tivessem as tecnologias de hoje? Provavelmente teriam utilizado em larga escala os jazigos minerais e petrolíferos, e teriam consumido muitos mais recursos hídricos e biológicos de modo a suportar uma população em rápido crescimento. E sendo seres humanos como nós, talvez apenas quando a escassez desses recursos se repercutisse na população, sobretudo nas classes mais influentes e com maior capacidade económica, começassem a tomar sérias medidas de gestão e conservação. Mas, talvez já fosse tarde de mais. Felizmente, e porque não ocorreu nenhum aumento populacional significativo como o que se observa hoje, não foi exatamente isso que sucedeu.


Mas, e se tivesse acontecido? Que recursos teriam sobrado? Todas as civilizações edificaram-se e desenvolveram-se com recursos naturais. Sem eles, as civilizações regridem, desaparecem, guerreiam-se entre si para se apoderarem do pouco que ainda está disponível. O que teria chegado até hoje? Será que no século XXI existiria alguma verdadeira civilização? Seres humanos haveria certamente, mas as civilizações só se constroem com recursos naturais. Se os nossos antepassados tivessem esgotados as matérias-primas e ecossistemas de que agora dependemos, o que teria sobrado para nós? Certamente muito pouco, assim como muito pouco haveria da nossa civilização e do nosso modo de vida atual. E não tenhamos a ilusão de que alguma tecnologia nos valeria. Todas as tecnologias que dispomos só são possíveis pois usamos recursos naturais para as construir e por a funcionar. E como será daqui alguns séculos? Como serão as civilizações? Que recursos lhes vamos deixar? E quais lhes queremos deixar? Como seremos lembrados pela História? A civilização do salto tecnológico ou a responsável pelo declínio civilizacional? Também só haverá História se houver civilização. Uma coisa é certa, um futuro com milhares de milhões de seres humanos, tal como hoje acontece, só ocorrerá se lhes deixarmos recursos, ou então a Terra transformar-se-á numa espécie de Ilha da Páscoa a girar em torno do Sol, e nós as suas gigantes cabeças!

O ser humano sempre necessitou dos recursos naturais para a sua sobrevivência. Ainda hoje, a nossa dependência é total. A água e o oxigénio, os alimentos e medicamentos, as fontes de energia e as matérias-primas que possibilitam o nosso estilo de vida moderno provêm todos eles, sem exceção, da natureza. E assim foi ao longo de toda a nossa história. (Continua...)

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

O Manual da Bolota - 2013

Já está disponível o “Manual da bolota 2013”.

A edição deste ano surge com ligeiras modificações. As alterações relativamente à primeira edição (2011) encontram-se com uma cor diferente de modo a facilitar a consulta. A presente edição inicia-se com o "manifesto da bolota", o qual será publicado neste blog, em vários posts.



O e-mail e este blog permitiram algum feedback com as escolas aderentes no ano transato e com pessoas que a nível individual também se dedicaram à germinação e propagação de bolotas, e que contribuíram para as alterações efetuadas.

Obrigado a todos!

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Vem aí o 5º Dia Mundial da Bolota

Dia Mundial da Bolota surgiu na ES Quinta das Palmeiras (Covilhã) em 2009 e tem como principal objectivo a união de esforços com vista à recuperação da nossa floresta autóctone.

A participação é muito simples. Basta que se proceda previamente à recolha de bolotas de carvalhos autóctones e no dia 10 de novembro se realize(em) a(s) seguintes(s) actividade(s):

- semear as bolotas no campo ou num jardim a partir das quais se desenvolverão os carvalhos;
- semear as bolotas em vasos para no ano seguinte obter pequenos carvalhos para plantar;
- distribuir pacotinhos de papel com bolotas a elementos de uma organização (escolas*, escuteiros, etc.) para que possam semear as bolotas em vasos de modo a  obter pequenos carvalhos para plantar no ano seguinte;
- outro tipo de atividades que os participantes julguem ser adequadas.

Para aderirem a esta iniciativa, contactem-nos pelo seguinte e-mail: bologta@gmail.com 


A inscrição no Dia Mundial Bolota é informal. Tem apenas como finalidade o envio de algum material, via internet, aos aderentes. Solicitamos apenas a indicação dos seguintes dados no e-mail:
- Nome da escola/instituição aderente/participante individual;
- Localidade;
- Nome do responsável/ dinamizador e cargo na instituição (ex: professor de Ciências Naturais);
- Público-alvo (ex. para instituições: alunos 8º ano; toda a escola); (ex. para participantes individuais: com a família; com amigos).

Seguidamente enviaremos por e-mail o manual da bolota 2013 (pdf) e um ficheiro editável para a elaboração de pacotinhos para as bolotas, entre outros materiais.

Utilizem também este e-mail para fazerem sugestões de atividades que possam enriquecer esta data, ou através de comentários nos posts.
Para informações mais detalhadas, sigam-nos neste blog. 

 * Este ano o dia 10 de novembro é um domingo. As escolas poderão assinalar esta data na sexta-feira anterior ou na segunda-feira seguinte, ou em outra data mais adequada às suas actividades letivas.


terça-feira, 1 de outubro de 2013

A rega dos pequenos carvalhos em plantações

Este ano comemorámos os 25 anos da nossa escola. Uma das atividades foi a plantação de 25 carvalhos nos nossos espaços exteriores (http://bologta.blogspot.pt/2013/01/25-anos-25-carvalhos.html).

Apesar de já termos efetuado várias plantações na Serra da Estrela, e acompanhado o crescimento e desenvolvimento das pequenas árvores, a plantação na escola permitiu-nos um acompanhamento mais próximo e a realização de algumas experiências com diferentes tipos de rega.

O período estival é o mais complicado para qualquer árvore, especialmente quando jovem. A temperatura elevada, o elevado número de horas de luz natural (fotoperíodo), a intensidade luminosa acentuada e a ausência de precipitação sujeitam-nas a um grande stress hídrico.

Rega com garrafão - durante a plantação assegurou-se que a árvore ficava ligeiramente mais baixa que o solo envolvente de modo a que durante a rega, ou quando chove, se acumule alguma água e que o próprio líquido crie pressão e se possa infiltrar para uma profundidade maior, onde se encontram as raízes do carvalho

De modo a assegurar alguma sombra, deixámos crescer as ervas em redor das pequenas árvores. Como a raiz dos carvalhos é muito profunda, ao contrário do que acontece com a maioria das ervas, não houve competição por água.

A rega foi feita com baldes e garrafões. A pressão criada pelo peso do próprio líquido permite que a coluna de água atingisse grande profundidade, local onde se encontram as raízes. Durante a plantação, fez-se uma pequena depressão no local onde se colocou a árvore, o que serviu de coletor natural da água.

As ervas em redor do pequeno carvalho permitiram alguma sombra durante o verão. Durante a plantação foram colocadas estacas em redor da árvore de modo a permitir a sua localização e evitar o pisoteio, quer por pessoas, quer por animais.

A instalação de um sistema de rega “gota-a-gota”  não nos pareceu muito indicado. Devido à profundidade alcançada pela raiz dos carvalhos, as pequenas gotas dificilmente formam uma coluna de água que atinja grande profundidade, perdendo-se água por evaporação e para outras plantas de raízes mais superficiais.

As regas foram realizadas de manhã, altura em que o solo ainda se encontrava fresco.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

O nosso bolotário mudou de sítio

O sol e as temperaturas amenas ajudam à germinação das bolotas e são essenciais ao bom desenvolvimento dos pequenos carvalhos. Uma boa disponibilidade de água é fundamental para a manutenção de um viveiro.

Este ano temos muitas dezenas de carvalhos para cuidar, o que torna pouco viável a rega com um regador.

A nossa experiência ensinou-nos que o sol quente da Beira-Baixa pode ser demasiadamente agressivo para os pequenos carvalhitos, podendo-lhes ser fatal ou, ao invés do pretendido, inibir-lhes o seu desenvolvimento nos meses de maior calor.

O local ideal para que as nossas pequenas árvores passem melhor o verão deverá ter alguma sombra e grande disponibilidade de água.

Procurámos, na nossa escola, um local com estas características... e não foi nada difícil de encontrar! Debaixo de uma árvore adulta que providência uma boa sombra, num local onde existe rega automática, eis a nova localização do nosso bolotário!


A nova localização do nosso bolotário - sombra e rega automática - um resort de verão para os nossos carvalhitos!

Os carvalhitos têm-se dado lindamente neste novo local e têm crescido a um bom ritmo.