segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Sementeira de bolotas em vasos - guião simplificado para a dinamização de workshops

Uma das atividade que realizamos regularmente, e que tem maior aceitação, consiste em ensinar e demonstrar alguns dos aspetos mais significativos relacionados com o processo de sementeira de bolotas em vasos, assim como quais os cuidados e o destino a dar aos carvalhitos daí obtidos.


A ideia original de um workshop não foi nossa, mas de um dos mais antigos e meritórios semeadores de bolotas e aderentes à iniciativa do Dia Mundial da Bolota - a Escola Álvaro Velho, em Lavradio, Barreiro (ver post).

Como uma boa ideia não deve ficar só, rapidamente começámos a realizar atividades semelhantes e sempre com muito boa aceitação.




Não conseguindo responder a todos os (inúmeros) pedidos de realização destas sementeiras, optámos por criar um pequeno guião, elaborado a partir da nossa experiência que já conta com muitas dezenas de workshops.

Fica assim disponível um pequeno resumo dos aspetos mais significativos da sementeira em vasos, para que qualquer aderente do Dia Mundial da Bolota possa implementar estas atividades ainda com maior sucesso.

Boas sementeiras!

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Vem aí o 10º Dia Mundial da Bolota - 10 de novembro

Em 2009 criámos o Dia Mundial da Bolota… um pretexto para a união de esforços no sentido da preservação e recuperação da Natureza e Educação Ambiental, data esta que já se comemora um pouco por todo o país… e também em diversos países da Europa, América e Ásia!

Ao longo destes anos, foram milhares as pessoas que aderiram a esta iniciativa, tendo semeado centenas de milhares de bolotas, um pouco por todo o lado.


Para participar, basta recolher previamente bolotas de carvalhos autóctones para que no dia 10 de novembro (ou outra data que vos seja mais conveniente) se realizem as seguintes actividades:

- semear bolotas no campo, a partir das quais se desenvolverão os carvalhos;

- semear bolotas em vasos, para no ano seguinte obter pequenos carvalhos para plantar;

- distribuir bolotas a elementos de uma organização - escolas, escuteiros, etc. - para que as possam semear no campo ou em vasos (terão pequenos carvalhos para serem plantados no próximo ano);

- reflorestar um local com carvalhitos de espécies autóctones;

- dinamizar outro tipo de atividades, tais como caminhadas para semear bolotas, workshops sobre sementeira, elaboração de cartazes alusivos a esta data, oficinas de cozinha com receitas de com bolotas...

... ou qualquer ouro tipo de iniciativa que nos lembre que de uma só bolota pode nascer um arbusto, uma árvore ou uma floresta!

Brevemente iremos disponibilizar um guião para a a dinamização de workshops de sementeira de bolotas.

A comemoração do Dia Mundial da Bolota não carece de nenhuma inscrição prévia. É uma atividade a ser desenvolvida autonomamente.

Para vos ajudar, disponibilizamos neste blog alguns materiais que vos poderão ser úteis, tais como o Manual da Bolota, um ficheiro editável para a construção de pacotinhos para as bolotas e um guião para a a dinamização de workshops de sementeira de bolotas (brevemente).

Contamos com a vossa participação de modo a que localmente possamos contribuir para a conservação e recuperação dos bosques e florestas autóctones.

E se possível, divulguem esta data para semearmos o Dia Mundial da Bolota um pouco por todo o lado.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Vasos para as bolotas: uma solução prática, económica e amiga do ambiente (2)

A sementeira de bolotas em vasos tem como objectivo a plantação futura das pequenas árvores. Um bom início de vida permite que as jovens plantas, quando colocadas no seu local definitivo, tenham muito mais hipóteses de sobreviverem e de se desenvolverem saudavelmente.


Há muitos fatores que contribuem para o sucesso ou insucesso da germinação em vaso e da posterior plantação, mas um dos que melhor podemos e devemos controlar é o recipiente que utilizamos para a germinação das bolotas e formação dos pequenos carvalhitos. Um sistema radicular bem desenvolvido e saudável é absolutamente fundamental.

Eis como construir vasos apropriados para a germinação das bolotas a partir da reutilização de garrafas de plástico:

Reutilize uma garrafa de 500ml a 2 litros. Vai necessitar de um canivete e uma tesoura.

Corte o fundo da garrafa de modo a obter um pequeno “copo” que permita que o gargalo fique inserido no copo, mas sem tocar no fundo.

Com a tesoura, abra 4 pequenos orifícios a meio da lateral do copo.
Assim, permite que o ar circule e que o copo funcione como colector do excesso de água.

Verifique se ao colocar a garrafa invertida dentro do copo, o gargalo não toca no fundo.

Coloque a rolha e encha com alguma terra. A rolha é usada exclusivamente neste passo de modo a segurar a terra. Após o enchimento retire definitivamente a rolha.

O aspeto final do vaso deverá ser este: a garrafa invertida com terra colocada sobre o copo perfurado, o qual suporta a garrafa, permite o arejamento da raiz e possibilita a recolha de alguma água em excesso. 

Verifique sempre se o gargalo se encontra a alguma distância do fundo do copo.

Geralmente, cada carvalhito emite uma raiz aprumada que ao chegar à abertura do fundo do vaso não se desenvolve mais. Caso ela se prolongue para o "copo", corte a parte exposta.

O objectivo é impedir que a raiz cresça indefinidamente e se enrole. A interrupção do seu crescimento por exposição ao ar ou por corte leva a que da bolota cresçam outras raízes que irão adensar o sistema radicular, permitindo, futuramente, uma melhor sobrevivência aquando da plantação.

Nota: Em 2017 publicámos um post semelhante (Vasos para bolotas 1)

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

O Manual da Bolota 2018

Falta um mês para comemorarmos o 10º Dia Mundial da Bolota e mais uma vez disponibilizamos o Manual da Bolota, revisto novamente este ano, com algumas novidades.



Boas leituras com muitas bolotas!

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

O sobreiro: uma ficha para a sua identificação (parque da Fundação Serralves)

O sobreiro (Quercus suber), a "Árvore Nacional de Portugal", encontra-se um pouco por todo o nosso território continental, mas é na região sul litoral que encontra as melhores condições ambientais, sendo aí a espécie dominante na maioria dos habitats (ver link em bologta).

A sua importância ambiental é acompanhada pela sua utilidade económica (ver link em bologta), particularmente pelaa sua cortiça.


No site da Fundação Serralves encontra-se disponibilizada uma ficha para a sua identificação/caraterização: Sobreiro

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

A azinheira: uma ficha para a sua identificação (parque da Fundação Serralves)

A azinheira (Quercus ilex) é uma espécie tipicamente mediterrânea (ver link em bologta), distinguindo-se duas subespécies: Quercus ilex subsp. ballota e Quercus ilex subsp. ilex.

Alguns autores classificam estas duas subespécies como duas espécies distintas. A subespécie ballota é referida como Quercus rotundifolia (azinheira-de-bolotas-doces) e a subespécie ilex é referida como Quercus ilex (azinheira-marítima).

Em Portugal, ocorre naturalmente apenas a subespécie Quecus ilex ballota (ou Quercus rotundifolia), a qual apresenta uma folha muito arredondada - daí o termo "rotundifolia".

A subespécie Quercus ilex ilex (Quercus ilex) ocorre essencialmente na zona este da Península Ibérica, próxima de regiões costeiras, compreendendo-se deste modo a designação comum de "marítima".


No site da Fundação Serralves encontra-se disponibilizada uma ficha para a sua identificação/caraterização: Azinheira

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

O carvalho-negral: uma ficha para a sua identificação (parque da Fundação Serralves)

O carvalho-negral (Quercus pyrenaica) é a espécie arbórea mais caraterística do centro norte interior de Portugal, ocorrendo, geralmente, acima dos 400m de altitude (ver link em bologta).

A designação "pyrenaica" revela a sua abundância na região oeste da cordilheira do Pirenéus.


No site da Fundação Serralves encontra-se disponibilizada uma ficha para a sua identificação/caraterização: Carvalho-negral

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

O carvalho-alvarinho: uma ficha para a sua identificação (parque da Fundação Serralves)

O carvalho-alvarinho (Quercus robur) é principal árvore autóctone da região norte litoral de Portugal continental, ocorrendo em locais onde o clima temperado atlântico é dominante (ver link em bologta).


No site da Fundação Serralves encontra-se disponibilizada uma ficha para a sua identificação/caraterização: Carvalho-alvarinho

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

O carvalho-cerquinho: uma ficha para a sua identificação (parque da Fundação Serralves)

O carvalho-cerquinho (Quercus faginea) ocorre naturalmente em Portugal, podendo distinguir-se duas subespécies:

Quercus faginea subsp. broteroi (carvalho-cerquinho ou carvalho-português), com uma distribuição mais meridional (ver link em bologta);

Quercus faginea subsp. faginea (pedamarro), no norte interior de Portugal (ver link em bologta)


No site da Fundação Serralves encontra-se disponibilizada uma ficha para a sua identificação/caraterização: Carvalho-cerquinho


terça-feira, 18 de setembro de 2018

Fichas de identificação de carvalhos autóctones portugueses (parque da Fundação Serralves)

No post anterior referimo-nos ao levantamento georeferenciado das árvores e arbustos do parque da Fundação Serralves.

Bolotas imaturas de Quercus pyrenaica no início de agosto

De modo a facilitar a consulta das fichas de identificação dos carvalhos autóctones portugueses disponibilizadas no site da referida fundação, vamos publicar nos próximos dias os links para cada espécie (carvalho-cerquinho; carvalho-alvarinho; carvalho-negral; azinheira; sobreiro). Fiquem atentos!

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

O parque da Fundação Serralves - levantamento georeferenciado das árvores e arbustos

O parque da Fundação Serralves, na cidade do Porto, possui um extraordinário conjunto botânico.

Apesar de no nosso país existirem muitos e bons jardins botânicos, neste parque foi realizado um levantamento georeferenciado das suas árvores e arbustos. Além de diversas espécies exóticas, neste local encontram-se também muitas espécies autóctones, em particular, carvalhos (género Quercus).


A identificação de espécies no meio natural é, frequentemente, complexa e requer um nível de conhecimentos que demora a adquirir.

Uma das vantagens dos jardins botânicos é que num espaço relativamente pequeno e com bom acesso pedonal se podem descobrir e contemplar muitas espécies de plantas com a facilidade de, na maioria dos casos, muitos espécimes se encontrarem identificados.

Um percurso num destes parques, acompanhados de um pequeno guia de árvores e arbustos, e de uma máquina fotográfica, torna-se numa pequena mas enriquecedora "expedição" natural.

Mas o motivo que nos levou a criar este post foi o facto de para este parque se encontrar on-line um levantamento georeferenciado da sua flora, o que permite uma experiência ainda mais enriquecedora ou, alternativamente, que se descubram as espécies presentes sem a nossa presença física.

Para tal, podemos aceder ao site da Fundação Serralves e na página inicial encontramos o separador Parque. Ao selecionarmos Flora do Parque encontramos no final da página o link Levantamento georeferenciado das árvores e arbustos do Parque

Ao realizar-se uma pesquisa livre do género Quercus, obtemos todas as ocorrências dos diversos carvalhos (autóctones e exóticos).

A georeferenciação encontra-se complementada com várias informações, tais como a descrição morfológica, época de floração, aplicações, entre outras (deixamos aqui, como exemplo, o link para o carvalho-cerquinho).


 

sexta-feira, 8 de junho de 2018

O "Sobreiro Assobiador" de Águas de Moura (Palmela) - Árvore Europeia de 2018

O "Sobreiro Assobiador" foi eleita a Árvore Europeia de 2018.

Este espectacular espécime de Quercus suber localiza-se em Águas de Moura, uma aldeia da União das Freguesias de Poceirão e Marateca, concelho de Palmela, distrito de Setúbal.

Apesar de ter uma altura relativamente comum para um sobreiro (16 metros), as restantes dimensões são realmente excecionais para esta espécie... tronco com 5 metros de diâmetro e uma copa que cobre uma área aproximada de 660 m2, sendo necessário percorrer 91 metros para contornar toda a sua copa, a qual se apresenta com 29 metros de diâmetro.

Terá sido plantado em 1783, tendo 234 anos (em 2018). Apesar de atualmente se situar numa zona urbanizada, os proprietários (e/ou) habitantes tiveram o cuidado de o não abater, o que certamente justifica a sua longevidade e, consequentemente, as suas dimensões.

www.treeoftheyear.org

"O Assobiador deve o nome ao som originado pelas inúmeras aves que pousam nos seus ramos. Plantado em 1783 em Águas de Moura, este sobreiro já foi descortiçado mais de vinte vezes. Além do contributo para a indústria, é impossível quantificar o seu impacto na manutenção do ecossistema e no combate ao aquecimento global. Com 234 anos, o Assobiador está classificado como “Árvore de Interesse Público” desde 1988 e e inscrito no Livro de Recordes do Guinness como "o maior sobreiro do mundo"!" (www.treeoftheyear.org)








Jornal do Pinhal Novo


Localização (Google Maps)


sexta-feira, 1 de junho de 2018

Montado de regadio

Um dos maiores problemas com que os possíveis produtores florestais se deparam é o demorado retorno dos seus trabalhos e investimentos.

São essas as principais razões que levam a que muitos proprietários florestais optem pela plantação de eucaliptos. Esta espécie, em relativamente poucos anos, permite um retorno lucrativo.

Foto revista Expresso

Infelizmente, estas monoculturas extensivas, são do ponto de vista ambiental extremamente nefastas, contribuído para a perda de solo, biodiversidade, não conservando recurso hídricos, e sendo grandes propagadores de incêndios florestais (caso surjam ignições).

Nem todas as espécies florestais têm como fim a produção de madeira. Um dos melhores exemplos é o sobreiro, cuja plantação fornecerá a longo prazo a indústria corticeira.

A casca do sobreiro (cortiça) é extraída, no mínimo, de 9 em 9 anos, o que permite a obtenção de um bom rendimento pelo proprietário.

No entanto, a primeira cortiça a ser retirada (desbóia), assim como a segunda (secundeira), são de fraca qualidade, e só ao 25º e 34º-35º ano de vida da árvore é que podem ser extraídas.

Na realidade, só a partir da 3ª extração - no 43º-45º ano - é que se começa a retirar cortiça de qualidade (amadia) e a obter rendimento...uma eternidade!

Atualmente, encontram-se em desenvolvimento e estudo técnicas de silvicultura de sobreiros em regime de regadio, as quais apontam para que o primeiro descortiçamento ocorra aos 8-10 anos, ou seja, após 26-28 anos já se poderá obter cortiça de qualidade, com o devido rendimento.

Esta antecipação da obtenção de lucro, apesar de não ser tão rápida como a do eucalipto em regime de talhadia, poderá ser uma excelente alternativa que a médio e longo prazo trará muito maiores benefícios ambientais, sociais e económicos que as monoculturas extensivas de espécies introduzidas.

Para saber mais...





segunda-feira, 12 de março de 2018

Faixas de gestão de combustíveis: Decreto-Lei n.º 10/2018

A prevenção da propagação dos incêndios florestais passa pela devida manutenção das faixas de gestão de combustíveis.

Há que manter estas faixas devidamente limpas... mas isso não significa o corte total da vegetação, particularmente de árvores como os "carvalhos" (Quercus sp.: "carvalhos", sobreiros, azinheiras). 

Para algumas espécies de "carvalhos" (Quercus sp.), nomeadamente o sobreiro e a azinheira, existem restrições ao seu corte e poda, assim como para o azevinho (Ilex aquifolium):

"O corte ou poda de sobreiro e de azinheira, em qualquer situação de densidade, tem de ser autorizado pelo ICNF, IP. O corte total ou parcial de azevinho espontâneo é proibido."


Para que a a presença da floresta próxima das habitações seja uma mais valia económica e ambiental, e não um problema sempre que exista um elevado risco de incêndio, estas faixas devem ser mantidas, mas com o devido equilíbrio entre prevenção e conservação.

Para que não restem dúvidas, deixamos aqui alguns links fundamentais para aprofundar este tema:




quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Mudanças de práticas e mentalidades?

Não querendo discutir aqui aspetos técnicos e legais da Reforma Florestal, nem do caso específico da reflorestação do Pinhal de Leiria, partilhamos uma notícia publicada no Diário de Notícias que, aparentemete, denota uma mudança de mentalidades e o assumir de que as espécies autóctones de Quercus sp. têm o seu lugar e a devida valorização nas Matas Nacionais.