sexta-feira, 8 de junho de 2018

O "Sobreiro Assobiador" de Águas de Moura (Palmela) - Árvore Europeia de 2018

O "Sobreiro Assobiador" foi eleita a Árvore Europeia de 2018.

Este espectacular espécime de Quercus suber localiza-se em Águas de Moura, uma aldeia da União das Freguesias de Poceirão e Marateca, concelho de Palmela, distrito de Setúbal.

Apesar de ter uma altura relativamente comum para um sobreiro (16 metros), as restantes dimensões são realmente excecionais para esta espécie... tronco com 5 metros de diâmetro e uma copa que cobre uma área aproximada de 660 m2, sendo necessário percorrer 91 metros para contornar toda a sua copa, a qual se apresenta com 29 metros de diâmetro.

Terá sido plantado em 1783, tendo 234 anos (em 2018). Apesar de atualmente se situar numa zona urbanizada, os proprietários (e/ou) habitantes tiveram o cuidado de o não abater, o que certamente justifica a sua longevidade e, consequentemente, as suas dimensões.

www.treeoftheyear.org

"O Assobiador deve o nome ao som originado pelas inúmeras aves que pousam nos seus ramos. Plantado em 1783 em Águas de Moura, este sobreiro já foi descortiçado mais de vinte vezes. Além do contributo para a indústria, é impossível quantificar o seu impacto na manutenção do ecossistema e no combate ao aquecimento global. Com 234 anos, o Assobiador está classificado como “Árvore de Interesse Público” desde 1988 e e inscrito no Livro de Recordes do Guinness como "o maior sobreiro do mundo"!" (www.treeoftheyear.org)








Jornal do Pinhal Novo


Localização (Google Maps)


sexta-feira, 1 de junho de 2018

Montado de regadio

Um dos maiores problemas com que os possíveis produtores florestais se deparam é o demorado retorno dos seus trabalhos e investimentos.

São essas as principais razões que levam a que muitos proprietários florestais optem pela plantação de eucaliptos. Esta espécie, em relativamente poucos anos, permite um retorno lucrativo.

Foto revista Expresso

Infelizmente, estas monoculturas extensivas, são do ponto de vista ambiental extremamente nefastas, contribuído para a perda de solo, biodiversidade, não conservando recurso hídricos, e sendo grandes propagadores de incêndios florestais (caso surjam ignições).

Nem todas as espécies florestais têm como fim a produção de madeira. Um dos melhores exemplos é o sobreiro, cuja plantação fornecerá a longo prazo a indústria corticeira.

A casca do sobreiro (cortiça) é extraída, no mínimo, de 9 em 9 anos, o que permite a obtenção de um bom rendimento pelo proprietário.

No entanto, a primeira cortiça a ser retirada (desbóia), assim como a segunda (secundeira), são de fraca qualidade, e só ao 25º e 34º-35º ano de vida da árvore é que podem ser extraídas.

Na realidade, só a partir da 3ª extração - no 43º-45º ano - é que se começa a retirar cortiça de qualidade (amadia) e a obter rendimento...uma eternidade!

Atualmente, encontram-se em desenvolvimento e estudo técnicas de silvicultura de sobreiros em regime de regadio, as quais apontam para que o primeiro descortiçamento ocorra aos 8-10 anos, ou seja, após 26-28 anos já se poderá obter cortiça de qualidade, com o devido rendimento.

Esta antecipação da obtenção de lucro, apesar de não ser tão rápida como a do eucalipto em regime de talhadia, poderá ser uma excelente alternativa que a médio e longo prazo trará muito maiores benefícios ambientais, sociais e económicos que as monoculturas extensivas de espécies introduzidas.

Para saber mais...





segunda-feira, 12 de março de 2018

Faixas de gestão de combustíveis: Decreto-Lei n.º 10/2018

A prevenção da propagação dos incêndios florestais passa pela devida manutenção das faixas de gestão de combustíveis.

Há que manter estas faixas devidamente limpas... mas isso não significa o corte total da vegetação, particularmente de árvores como os "carvalhos" (Quercus sp.: "carvalhos", sobreiros, azinheiras). 

Para algumas espécies de "carvalhos" (Quercus sp.), nomeadamente o sobreiro e a azinheira, existem restrições ao seu corte e poda, assim como para o azevinho (Ilex aquifolium):

"O corte ou poda de sobreiro e de azinheira, em qualquer situação de densidade, tem de ser autorizado pelo ICNF, IP. O corte total ou parcial de azevinho espontâneo é proibido."


Para que a a presença da floresta próxima das habitações seja uma mais valia económica e ambiental, e não um problema sempre que exista um elevado risco de incêndio, estas faixas devem ser mantidas, mas com o devido equilíbrio entre prevenção e conservação.

Para que não restem dúvidas, deixamos aqui alguns links fundamentais para aprofundar este tema:




quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Mudanças de práticas e mentalidades?

Não querendo discutir aqui aspetos técnicos e legais da Reforma Florestal, nem do caso específico da reflorestação do Pinhal de Leiria, partilhamos uma notícia publicada no Diário de Notícias que, aparentemete, denota uma mudança de mentalidades e o assumir de que as espécies autóctones de Quercus sp. têm o seu lugar e a devida valorização nas Matas Nacionais.


segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

"florestar.net" - um excelente site para os amantes das árvores e arbustos autóctones de Portugal continental

Dos vários sites dedicados a aspetos botânicos, alguns merecem todos os nossos esforços na sua divulgação.


Em "florestar.net" podemos encontrar várias informações sobre espécies de árvores e arbustos autóctones de Portugal continental - aspetos da sua taxonomia, morfologia, habitat e ecologia, usos e costumes, assim como modos de propagação de cada espécie, entre outros.


Adicionalmente, existe uma página no facebook (florestar.net facebook), que complementa este site com excelentes fotografias.


Um site a colocar nos "favoritos".

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Como distinguir um sobreiro de uma azinheira apenas pela folha?

O sobreiro (Quercus suber) e a azinheira (Quercus ilex) são as espécies de carvalhos arbóreos de folha persistente mais representativas no nosso país.

Em Portugal continental, estas duas espécies têm uma distribuição semelhante, ainda que o sobreiro prefira zonas um pouco mais húmidas.

A sobreposição de populações leva a frequentes hibridizações*, tal como sucede na maioria das espécies do género Quercus sp.. No entanto, e de um modo geral, cada espécie mantém caraterísticas próprias.

Quando adultos, sobreiros e azinheiras atingem portes semelhantes, mas são fáceis de distinguir por uma simples caraterística... o ritidoma* do sobreiro é um material por todos conhecido, a cortiça!

Muitas outras caraterísticas permitem a distinção entre estas espécies, tão semelhantes. Como a identificação de árvores unicamente a partir das folhas é uma prática comum - e que nos é colocada frequentemente, em particular entre estas duas espécies - deixamos aqui um pequeno contributo para uma mais fácil identificação.

Folhas de azinheira e sobreiro - os exemplares foram recolhidos na aldeia histórica de Marialva (Mêda, Guarda), num povoamento misto com predominância da azinheira, não sendo por isso espécimes "puros".

Páginas superiores das folhas de sobreiro (em cima) e azinheira (em baixo), esta ultima com sinais de hibridização pois o pecíolo é tomentoso (em exemplares "puros" o pecíolo é glabro).

Páginas inferiores das folhas de sobreiro (em cima) e azinheira (em baixo) havendo mais nervos secundários nas de azinheira.

Folhas de sobreiro (página superior) - geralmente, apresentam uma coloração mais intensa.

Folhas de sobreiro (página inferior) - a nervura central é "torta" e as secundárias inserem-se num ângulo superior a 45º.

Folhas de azinheira (página superior) - frequentemente mais acinzentadas 

Folhas de azinehira (página inferior) - nervura central mais retilínea e as secundárias inserem-se num ângulo superior a 45º.

Caraterísticas mais comuns das folhas
Sobreiro
Quercus suber
Azinheira
Quercus ilex subsp. ballota



Dimensões: as folhas dos sobreiros são maiores
Comprimento: 2,5 a 10cm
Largura: 1,2 a 6,5 cm
Comprimento: 1,5 a 4 cm
Largura: 1 a 2,5 cm



Pecíolo: o pecíolo das folhas do sobreiro é mais comprido e “peludo”
6 a 20 mm de comprimento
Tomentoso*
3 a 6 mm de comprimento
Não tomentoso



Nervura principal: a nervura principal do sobreiro é sinuosa
Sinuosa, principalmente na porção superior
Geralmente retilínea



Nervuras secundárias: as do sobreiro são mais “fechadas” e geralmente nunca são bipartidas na extremidade
5 a 7 pares
Inserem-se na nervura central num ângulo inferior a  45º
5 a 8 pares
Inserem-se na nervura central num ângulo superior a  45º



Cor e pelos: as folhas dos sobreiros apresentam, geralmente, cores mais intensas na página superior e são mais tomentosas na página inferior
Página superior: verde-escuro, glabras*
Página inferior: verde-acinzentado, muito tomentosas
Página superior: verde-escuro pouco intenso
Página inferior: verde-acinzentado, tomentosas



Contorno da folha: as folhas da azinheira apresentam maiores variações, sendo mais “arredondadas” as folhas mais velhas e mais “agressivas” as mais jovens
Ligeiramente denticuladas, sendo mais denticuladas as folhas jovens
Folhas mais velhas sem dentículos; folhas jovens muito denticuladas, quase espinosas

Muito resumidamente:

As folhas dos sobreiros apresentam uma cor mais intensa, são maiores, com nervura central sinuosa e nervuras secundárias mais "fechadas";

As de azinheira são mais "acinzentadas", menores, com nervura central retilínea e nervuras secundárias mais "abertas".

* Hibridização - cruzamentos de indivíduos de espécies diferentes
* Ritidoma - parte externa da casca
* Tomentoso - com pelos lanosos
* Glabro - sem pelos

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Um Carvalho por um Carvalhense

Os escuteiros do Agrupamento 1304 (São Nuno, Covilhã) está a organizar uma atividade de reflorestação, com carvalhos, na Serra da Estrela, no dia 20 de janeiro de 2018.

Deixamos aqui o cartaz desta excelente iniciativa, assim como o link para a página deste agrupamento.



Sempre Alerta!!! Boas plantações!!!

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Alguns termos técnico-legais no site do Instituto de Financiamento de Agricultura e Pescas

Em certos contextos, a utilização de determinado vocabulário requer uma exatidão absoluta, nomeadamente quando estão em causa juízos técnicos e/ou legais. Assim, deixamo-vos aqui mais um site onde, para além do esclarecimento sobre alguns termos vulgarmente utilizados em tópicos sobre florestas, poderão pesquisar muitas outras informações úteis.




domingo, 26 de novembro de 2017

A caminhada do Dia Mundial da Bolota 2017, na Covilhã

Logo a seguir ao Dia Mundial da Bolota, e para aproveitarmos um sábado bem soalheiro, fizemos uma caminhada junto à Covilhã, entre os 800 e os 950 metros de altitude, onde semeámos algumas centenas de bolotas de carvalho-negral.

Esperemos que venha um pouco mais de chuva para não desidratar as sementes... e que os javalis e outros animais gulosos comemorem também esta data, não comendo as bolotas que tanto trabalho nos deram a semear!










sábado, 25 de novembro de 2017

Florestar Portugal 2017

"Florestar Portugal 2017" - 18 a 26 de Novembro

Vamos florestar Portugal! E tu? Vais ficar em casa?!



segunda-feira, 20 de novembro de 2017

O Dia Mundial da Bolota 2017 na RTP

Para quem não teve a oportunidade de ver, deixamos aqui a reportagem produzida para a RTP sobre o Dia Mundial da Bolota, na Escola Secundária Quinta das Palmeiras.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Primeira conferência ibérica sobre a bolota - programa

Em 23/10/2017 publicitámos a "Primeira conferência ibérica sobre a bolota" (ver link). 

O programa, extremamente interessante, inclui três painéis: "Contexto", "Valor para a nutrição" e "Perspectivas industriais".

Além do cartaz/programa, deixamos novamente o link desta iniciativa: 1ª conferencia ibérica bolota


Não deixem de participar neste encontro inovador... e, certamente, surpreendente!

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

É hoje o Dia Mundial da Bolota

Comemora-se hoje, pelo 9º ano consecutivo, o Dia Mundial da Bolota. Desde 2009, esta iniciativa já se propagou um pouco por todo o lado. Para além de Portugal, em muitos outros países esta data já é celebrada... um pequeno contributo para a recuperação das florestas autóctones.


Para comemorar esta data, basta realizar uma das seguintes atividades:

- Semear as bolotas no campo, a partir das quais se desenvolverão os carvalhos;

- Semear as bolotas em vasos para no ano seguinte terem pequenos carvalhos para plantar;

- Distribuir bolotas a elementos de uma instituição para serem semeadas no campo durante o outono e inverno e/ou semeadas em vasos, para no ano seguinte terem pequenos carvalhos para plantar;

- Plantar os carvalhitos obtidos a partir da sementeira realizada em vasos na comemoração do Dia Mundial da Bolota em 2016;

- Outro tipo de atividades, tais como caminhadas, demonstrações de sementeira e plantação, elaboração de cartazes, músicas, receitas de cozinha com bolotas… e outras ideias criativas.

Bom Dia Mundial da Bolota!


- O Dia Mundial da Bolota surgiu na Escola Secundária Quinta das Palmeiras (Covilhã), em 2009, e tem como principais objetivos a união de esforços com vista à recuperação da nossa floresta autóctone e a realização de atividades de Educação Ambiental.

- A comemoração do Dia Mundial da Bolota não necessita de qualquer inscrição. Se desejarem, contactem-nos por e-mail  para nos darem algum feedback das vossas atividades.


quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Caminhada do Dia Mundial da Bolota 2017

O Dia Mundial da Bolota comemora-se a 10 de novembro. No entanto, aqui na Covilhã, vamos prolongar um pouco mais esta iniciativa com a realização de uma caminhada no dia 11 de novembro.

A destruição a que a floresta portuguesa foi sujeita este ano necessita da nossa intervenção de modo a que mais rapidamente se regenerem e recuperem os carvalhais autóctones. Não podemos ficar alheios a este enorme desafio ambiental.

Deixamo-vos aqui o cartaz da caminhada, a qual inclui uma atividade de orientação ("Caça ao tesouro") e algumas informações úteis...


Data e hora: 11 de novembro (sábado) às 8h30min;

Local: início junto ao estádio de futebol Santos Pinto, na Covilhã;

Participantes: atividade aberta a toda a população, não requerendo inscrição prévia;

Atividades: caminhada, sementeira de bolotas de carvalho-negral, "Caça ao tesouro" (opcional);

Distância: cerca de 4 km (dificuldade baixa);

Material necessário: aconselha-se aos participantes levarem um recipiente para transportar bolotas (ex.: um saco) e uma ferramenta para abrir pequenas covas (ex.: uma pequena pá ou sacho).
As bolotas são fornecidas pela organização;

Informações adicionais: os participantes devem levar roupa e calçado adequado às condições meteorológicas, terem um comportamento adequado e responsável.

Organização: Escola Secundária Quinta das Palmeiras (Grupo de Estágio de Educação Física e Grupo de Biologia e Geologia) com o apoio do Gabinete Florestal da Câmara Municipal da Covilhã.

Não deixem de participar... e tragam companhia! Mais do que nunca, todos nós podemos contribuir para um ambiente melhor!

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Vem aí o 9º Dia Mundial da Bolota - 10 de novembro de 2017

Em 2009 criámos uma data especial – o Dia Mundial da Bolota… um pretexto para a união de esforços no sentido da preservação e recuperação da Natureza e Educação Ambiental.

O Dia Mundial da Bolota é já comemorado um pouco por todo o país… e também em diversos países da Europa, América e Ásia!

Ao longo destes anos, foram milhares as pessoas que aderiram a esta iniciativa, tendo semeado centenas de milhares de bolotas, um pouco por todo o lado.


Para participar, basta recolher previamente bolotas de carvalhos autóctones para que no dia 10 de novembro (ou outra data que vos seja mais conveniente) se realizem as seguintes actividades:

- semear bolotas no campo, a partir das quais se desenvolverão os carvalhos;

- semear bolotas em vasos, para no ano seguinte obter pequenos carvalhos para plantar;

- distribuir bolotas a elementos de uma organização - escolas, escuteiros, etc. - para que as possam semear no campo ou em vasos (terão pequenos carvalhos para serem plantados no próximo ano);

- dinamizar outro tipo de atividades, tais como caminhadas para semear bolotas, workshops sobre sementeira, elaboração de cartazes alusivos a esta data, oficinas de cozinha com receitas de com bolotas...

... ou qualquer ouro tipo de iniciativa que nos lembre que de uma só bolota pode nascer um arbusto, uma árvore ou uma floresta!

A comemoração do Dia Mundial da Bolota não carece de nenhuma inscrição prévia. É uma atividade a ser desenvolvida autonomamente.

Para vos ajudar, disponibilizamos neste blog alguns materiais que vos poderão ser úteis, tais como o Manual da Bolota e um ficheiro editável para a construção de pacotinhos para as bolotas.

Contamos com a vossa participação de modo a que localmente possamos contribuir para a conservação e recuperação dos bosques e florestas autóctones.

E se possível, divulguem esta data para semearmos o Dia Mundial da Bolota um pouco por todo o lado.