sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Qual a melhor época para recolher bolotas?

Em 2010 publicámos um post relativo à melhor época de recolha das bolotas (ver post).

No entanto, a informação aí publicada não está totalmente coerente com o conteúdo do Manual da Bolota (ver manual), pelo que decidimos refazê-la.

Por "saudades dos velhos tempos", não alterámos a informação inicial. Serviu também para nos lembrar que já fomos umas bolotas pouco maduras nestes assuntos. Na época tínhamos pouco aprofundamento bibliográfico assim como alguma falta de prática.

Então vamos lá ao "novo" texto...

As diversas espécies de carvalhos (Quercus sp.) completam a maturação das suas sementes ao longo do outono. No entanto, a maturação não é simultânea para as diferentes espécies.

Bolotas bem madurinhas de carvalho-negral (Quercus pyrenaica) recolhidas em 05/11/2018


Acresce que o clima  as condições meteorológicas de cada ano podem atrasar ou adiantar a frutificação e que algumas espécies  produzem sementes em diferentes alturas.

Assim, é possível encontrarmos bolotas em Portugal continental de setembro..até fevereiro!

Mas ainda não respondemos à questão "Qual a melhor época para recolher bolotas?". De um modo geral, a melhor época e em que encontramos boas quantidades de bolotas maduras de todas as espécies é no final de outubro e início de novembro.

Já agora, uma sugestão...porque não recolher as bolotas durante a semana que antecede o Dia Mundial da Bolota? Ou até no próprio dia? Esta é que é mesmo a época ideal!

Boas colheitas!

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Vem aí o 11º Dia Mundial da Bolota - 10 de novembro

Dia Mundial da Bolota - 10 de novembro



Sem a influência do Homem, grande parte do nosso país seria um enorme carvalhal. Quando o percorremos, de Norte para Sul ou do litoral para o interior, observamos, com grande preocupação, que na maioria do território pouco ou nada existe destas florestas e bosques autóctones.

Os carvalhos desenvolvem-se a partir de bolotas. Se quisermos participar na conservação da Natureza e recuperar os carvalhais, temos apenas que semear bolotas. Simples, não é? Bastaria apenas um dia por ano em que recolhêssemos e semeássemos bolotas autóctones no campo, ou as levássemos para casa e as colocássemos em vasos. No ano seguinte teríamos carvalhos para plantar.

Esse dia já existe, é o Dia Mundial da Bolota, dia 10 de novembro!

Como se comemora o Dia Mundial da Bolota?

Esta data pode ser assinalada de diversas formas. As mais comuns têm sido a distribuição e sementeira de bolotas de carvalhos autóctones, mas outras atividades tais como caminhadas, workshops sobre sementeira e reflorestação, plantação de carvalhitos, concursos de fotografias ou até a confeção de alimentos com bolotas são sempre muito concorridas.

Mas este dia pode ser comemorado de qualquer outra forma (ou mesmo noutra data). O importante é que façamos algo que contribua para a proteção e requalificação da nossa floresta autóctone.

É necessária alguma inscrição?

Não é necessária nenhuma inscrição ou adesão oficial.

A comemoração desta data é feita livremente. É apenas um pretexto para a realização de atividades que promovam a conservação dos carvalhais autóctones de cada região... semeando bolotas, plantando pequenos carvalhos, entre muitas outras atividades. E em qualquer altura se pode comemorar o Dia Mundial da Bolota, desde que haja bolotas e/ou pequenos carvalhitos autóctones.

Encontra-se disponível algum material de apoio a esta iniciativa?

Sim.

Encontram-se disponíveis on-line alguns materiais de apoio para quem pretenda organizar a comemoração desta data, tais como:

O Manual da Bolota – um guia para conhecer melhor os objetivos e comemoração desta iniciativa e também os carvalhos autóctones portugueses link


Sementeira de bolotas em vasos – um guião simplificado para a dinamização de workshops sobre sementeira de bolotas em vasos ou outros recipientes link


O Dia Mundial da Bolota em vídeo – um pequeno vídeo explicativo desta iniciativa link

Links de apoio à comemoração do Dia Mundial da Bolota – uma compilação de links do nosso blog link

Pacotinhos para as bolotas – um ficheiro editável para a construção de pacotinhos para as bolotas (link) e respetivas instruções (link


As atividades do Dia Mundial da Bolota adequam-se aos Projetos Educativos / Plano Anual de Atividades das escolas?

Plenamente!

Apesar desta iniciativa ser aberta a toda a comunidade, ela tem particular relevância nas escolas. Facilmente se adequa a disciplinas como “Cidadania e desenvolvimento”, particularmente nos domínios “Desenvolvimento sustentável”, “Educação Ambiental” e “Voluntariado”. A origem desta iniciativa foi na Escola Secundária Quinta das Palmeiras (Covilhã), tendo já sido replicada em centenas de outras escolas, desde o pré-escolar atá ao ensino secundário com resultados muito positivos.

Adiram ao Dia Mundial da Bolota!

A vossa ação é fundamental para construirmos um ambiente melhor!

Dia Mundial da Bolota - 10 de novembro


quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Distribuição mundial do eucalipto (Eucalyptus globulus)

Apesar deste blog ser mais direcionado para os carvalhos autóctones (Quecus sp.), a continuada substituição da nossa estrutura florestal - baseada em carvalhos, sobreiros, azinheiras e castanheiros, e mais recentemente pelo pinheiro-bravo - pelo eucalipto (Eucalyptus globulus) levantou-nos a seguinte questão: Qual é a dimensão deste fenómeno de "eucaliptização" das florestas autóctones?


Através de uma simples busca na internet, com dados mais ou menos atualizados (e mais ou menos fiáveis), percebemos que a expansão do eucalipto fora da sua zona autóctone - algumas regiões do Sul da Austrália e Tasmânia - ocorre principalmente na Península Ibérica, maioritariamente em Portugal continental.


Na nossa "pequena" área continental, ocorre cerca de 1/3 da distribuição mundial desta espécie.

Este post não é nenhum manifesto contra a utilização florestal intensiva desta espécie, mas o facto de hoje ser a nossa principal espécie florestal, de a sua área em Portugal ser equivalente ou superior ao da sua área natural, conjugados com o desordenamento da nossa floresta, são aspetos que poderão contribuir para regressão das espécies autóctones e para a diminuição da resistência aos fogos da nossa floresta.

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Greve climática estudantil

Hoje, 24/05/2019, decorre a greve climática estudantil.


Cartaz de alunos da E. S. Q. P.

Greve climática estudantil na Covilhã: 10:30, entrada Pólo Principal da U. B. I. - link

terça-feira, 7 de maio de 2019

Os nossos bolotários estão de muito boa saúde!

Lembram-se do guião que elaborámos para a dinamização de sementeiras de bolotas em vasos (aceder aqui ao post)?

Os resultados começam agora a surgir e nos nossos bolotários - os infantários das bolotas - os pequenos carvalhitos já se encontram a espreitar.

Carvalhitos em alvéolos com várias espécies autóctones.

Carvalho-negral, carrasco, sobreiro e azinheira.
Nos vasos mais "técnicos", os tabuleiros alveolares, as taxas de germinação têm variado consoante a espécie e o tipo de solo utilizado.

Nos vasos construídos a partir da reutilização de garrafas de plástico, devido ao maior volume de solo, o desenvolvimento dos carvalhitos é maior.

Carvalhitos em vasos construídos a partir da reutilização de garrafas de plástico.

Como as garrafas permitem um maior volume de solo, o desenvolvimento dos carvalhitos também é maior.

Como na nossa escola os alunos já são mais velhos (ensino básico e secundário), e contamos com muitos anos de experiência nestas sementeiras, o sucesso do crescimento dos carvalhitos já não nos surpreende, verificando-se uma taxa de sucesso entre 80-90%, e ainda estamos no início de maio.

Bolotário da E. B. do Rodrigo (Covilhã)
Mas este ano também realizámos uma grande sementeira numa escola primária* e fomos lá contar...em 146 vasos só ainda não se observa um carvalhito em 17, ou seja, perto de 90% de êxito!

Estes carvalhitos são especiais pois foram semeados por alunos do primeiro ciclo...e são a prova de que utilizando os procedimentos corretos os resultados são excepcionais!


* Projeto Escola Guardiã (futuramente publicaremos mais informações sobre este projeto)

terça-feira, 23 de abril de 2019

Intervenção ambiental com os Guradiões da Serra da Estrela e reportagem da RTP

O movimento cívico Guardiões da Serra da Estrela, criado em 2017, tem sido dos mais ativos na preservação e requalificação ambiental da Serra da Estrela.

Muitas das atividades do Dia Mundial da Bolota que desenvolvemos aqui na Covilhã tiveram uma interligação intensa e permanente com os Guardiões, resultando numa série de atividades conjuntas... ...que publicaremos brevemente.

Uma destas intervenções ambientais decorreu no dia 26 de fevereiro, na Mata Nacional da Covilhã, com o apoio técnico do ICNF e com uma grande participação de alunos da nossa escola (E. S. Quinta das Palmeiras).



Esta atividade contou com a presença de uma equipa de reportagem da RTP, tendo sido emitida no dia 17 de abril de 2019 no programa Praça da Alegria (RTP 1).

Fica aqui o link para mais tarde recordar.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Ação de reflorestação - 15 de fevereiro de 2019, Cortes do Meio, Serra da Estrela

Deixamo-vos aqui a divulgação de mais um evento de reflorestação...que nunca são demais!



Participem!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Um carvalho da Canárias que nunca foi a Tenerife...

O carvalho-de-monchique é mais um dos nossos carvalhos autóctones cujo nome científico - Quercus canariensis - lhe foi atribuído devido a um equívoco.

O "culpado" foi, novamente, o botânico alemão Carl Ludwing von Willdenow. Ao descrever esta espécie com base em exemplares secos de herbário, não pode comprovar in loco a origem dos espécimes, tal com lhe tinha sucedido aquando da classificação do carvalho-negral.

Carvalho-de-monchique (Quercus canariensis)

Por erro próprio, ou por confiar na indicação da etiqueta que referia a proveniência da ilha de Tenerife, no arquipélago das Canárias, atribuiu-lhe o epíteto "canariensis", apesar desta espécie não ocorrer naquelas ilhas.

Mas esta história poderá ainda ter um outro "responsável" e nem tudo é "culpa" de Carl Willdenow. É que as amostras foram herborizadas, e provavelmente incorretamente etiquetadas, pelo médico e naturalista francês Pierre Marie Auguste Broussonet.

Carl Ludwing von Willdenow (1765-1812) - fonte "Wikipédia"

Na verdade, os espécimes eram provenientes de Marrocos. E assim, em vez de Quercus canariensis talvez lhe tivesse sido atribuída uma designação mais árabe ou africana!

Apesar deste equívoco, atualmente aceita-se a designação Quercus canariensis Willd. (1809).

Pierre Marie Auguste Broussonet (1761-1807) - fonte "histoire-medecine.fr"

Mas esta espécie é também referida com outras designações. Na "Flora de Portugal", de António Xavier Pereira Coutinho, surge como Quercus salzmanniana. Ainda não descobrimos a origem do epíteto "salzmanniana" atribuído em 1935... teremos que investigar um pouco mais.

Um outro nome, atribuído em 1864, é Quercus lusitanica subsp. baetica, considerando este carvalho como uma subespécie de carvalho-cerquinho. Talvez a origem deste nome se deva ao facto da folha apresentar algumas semelhanças com a do carvalho-cerquinho (Quercus faginea, mas anteriormente designado Quercus lusitanica) e se distribuír principalmente na Andaluzia ocidental, junto às montanhas dado "Sistema Bético".

Carvalho-cerquinho (Quercus faginea atualmente, mas anteriormente Quercus lusitanica)

Nome científico: Quercus canariensis Willd. (1809).
Sinónimos: Quercus salzmanniana Webb (1935); Quercus lusitanica subsp. baetica Webb (1864)

Nomes comuns: Carvalho-de-monchique, carvalho-das-canárias, carvalheira* (português);
    Quejigo, quejigo andaluz, roble andaluz (castelhano);
    Roure africà, roture africà - este último nome surge em "Flora Ibérica", mas pensamos ser um erro de impressão, sendo correto o termo para carvalho "roure" (catalão).

* No concelho de Monchique surge a designação "carvalheira" para esta árvore.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Um carvalho "pirenaico" que é escasso nos Pirenéus... porque será?

A duas das espécies de carvalhos autóctones portuguesas - o carvalho-negral e o carvalho-de-monchique - foram-lhes atribuídos nomes científicos bastante curiosos, respetivamente, Quercus pyrenaica e Quercus canariensis

Ao primeiro, Quercus pyrenaica, associamos que seja abundante nos Pirenéus, e o nome do segundo, Quercus canariensis, leva-nos numa "viagem" até às ilhas Canárias.

Pois nem uma coisa nem outra está correta. Apesar do carvalho-negral ser uma árvore comum em zonas montanhosas do centro e norte da Península Ibérica, a sua presença nos Pirenéus é muito escassa. Quanto ao carvalho-de-monchique, nem sequer ocorre naturalmente no referido arquipélago.

Então, de onde vêm estas confusões? A resposta é relativamente simples... vamos desvendar os "culpados".

Carvalho-negral (Quercus pyrenaica

O nome científico do carvalho-negral foi atribuído pelo botânico alemão Carl Ludwing von Willdenow em 1805 e por isso a correta designação é Quercus pyrenaica Willd. (1805).

No entanto, este botânico não se baseou em observações desta espécie na natureza, mas apenas a partir de exemplares secos de herbário que (não sabemos porquê) lhe chegaram, provavelmente com muitos outros exemplares de outras espécies, com um etiqueta que referia a proveniência Pirenéus, sendo essa a muito provável origem desta confusão.

Na literatura científica, o carvalho-negral surge também com uma designação mais antiga - Quercus toza Bosc - mas este nome nunca foi publicado de um modo válido, tendo sido utilizado inicialmente num trabalho relativo ao surgimento dos "bugalhos" nesta espécie. Ainda assim, é este o nome que consta na grande obra "Flora de Portugal" de António Xavier Pereira Coutinho.

Imagem obtida de "oportunityleiloes"

Porque terá sido sugerido o nome "toza" para o carvalho-negral?

Apesar de não teremos sido capazes de encontrar nenhuma referência à origem desta designação, pusemos "mãos-à-obra" e encontramos o seguinte no Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia de Ciências de Lisboa:

"tosa": Ação de cortar rente.
"tosar" (do latim tonsare): Cortar a rama das árvores, arbustos ou quaisquer plantas.

Imagem obtida de "custojusto"

Realmente, uma das caraterísticas marcantes do carvalho-negral é a sua enorme capacidade de regeneração após o corte. Provavelmente, talvez seja esta a origem de "toza".

Quanto à atribuição do nome Quercus canariensis para o carvalho-de-monchique...ficará para o próximo post

Folhas e bolota de carvalho-negral

Nome científico: Quercus pyrenaica Willd. (1805)
Sinónimos: Quercus toza

Nomes comuns: Carvalho-negral, carvalho-pardo-das-beiras, carvalho-da-beira, carvalho-pardo-do minho (português)*;
    Melojo, marojo, roble negro, roble negral, rebollo, curco villano, tocio, tozo (castelhano);
    Carballo negro, cerqueiro, cerquiño (galego);
    Reboll, roure reboll (catalão);
    Ametza, ametz arrunta (basco).

* Apesar de não existir na bibliografia, já ouvimos a designação "carvalho-ferral". Numa rua de uma aldeia do concelho de Penamacor - Meimoa - existe a toponímia "Rua do carvalho ferral".