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segunda-feira, 2 de abril de 2012

A influência da altitude no desenvolvimento dos órgãos dos carvalhos-negrais

O carvalho-negral é uma árvore de altitude. É raro abaixo dos 400m. O seu nome científico, Quercus pyrenaica, reflete a visão que o classificador, o botânico  alemão Karl Ludwing von Willdenow, tinha desta espécie. Devido à ocorrência desta espécie nessa cordilheira montanhosa, nas suas descrições refere que este carvalho "Habitat in Pyrenaeis" .



Carvalhos-negrais a cerca de 950m de altitude.
Na maioria dos indivíduos ainda não há sinais do desenvolvimento das primeiras folhas.

Não obstante da apetência do carvalho-negral pelas altitudes elevadas - na Peninsula Ibérica pode encontrar-se acima dos 2000m - o desenvolvimento das primeiras folhas e das estruturas reprodutoras é mais tardio por lá. Provavelmente, o principal fator associado à altitude são as baixas temperaturas que adiam o despontar destes órgãos.



Carvalhos-negrais a cerca de 600m de altitude.
As primeiras folhas já se encontram bem desenvolvidas em quase todos os indivíduos...

 ... assim como as primeiras inflorescências.

No mesmo dia tivemos a oportunidade de percorrer uma encosta com vários núcleos de carvalhos-negrais. As árvores com as copas mais frondosas ocorriam sobretudo a menor altitude enquanto que mais acima a maioria teimava em não libertar as folhas secas do ano anterior. Essas cairão definitivamente assim que despontarem as novas.


Giesta-branca (Cytisus multiflorus) - arbusto muito comum em zonas de distribuição natural do carvalho-negral e da azinheira. Em altitudes menores, muitos individuos exibem todas as suas flores. Esta giesta, a cerca de 950m, era a única que já apresentava alguma floração.

Este efeito da altitude, ao qual provavelmente está associada a temperatura, não afeta exclusivamente o carvalho-negral. Experimentem observar, num dia que façam uma viagem, as diferenças na floração das urzes, das estevas e das giestas ou as copas dos carvalhos, castanheiros e freixos. É um padrão que se repete. Quando já não encontrarem uma flor subam uma serra... pode ser que ainda vão a tempo!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Alguns cuidados a ter na identificação de seres vivos

Os seres vivos de uma mesma espécie não são todos iguais. O património genético de cada um, assim como as condições do meio onde se desenvolve, possibilita o surgimento de diferentes fenótipos.

Um dos órgãos mais utilizados na identificação de árvores são as folhas. As folhas de carvalho-negral variam entre os 8 a 16cm de comprimento por 4 a 12cm de largura. Excepcionalmente, poderão variar entre os 5 a 22cm de comprimento por 3,5 a 14cm de largura.

Ainda assim alguns carvalhos teimam em dasafiar as "normas".

 Este carvalho-negral que encontrei na Serra da Gardunha exibia umas folhas excepcionalmente grandes. O limbo da folha ultrapassava os 20cm,  mas o mais espantoso era a sua largura, quase 20cm, muito acima do descrito para a espécie.
A razão deste "post" é a seguinte: na identificação de um ser vivo não se deve utilizar uma única característica, pois existem variações individuais, geradas por variações genéticas e/ou ambientais, que poderão originar identificações erradas.

sábado, 2 de abril de 2011

As primeiras folhas do carvalho-negral

As primeiras folhas são surpreendentemente diferentes do que se possa esperar.

As novas folhas de um velho carvalho-negral

Nas folhas jovens realçam-se os tons cinzentos e rosados. Uns dias mais tarde darão lugar a um característico tom verde-mate que tende a escurecer com a idade, sobretudo na página superior, mantendo-se a inferior mais clara e caracteristicamente tomentosa (com pêlos macios e densos).

As primeiras folhas de um carvalhito-negral no início do seu segundo ano de vida

quinta-feira, 31 de março de 2011

De onde surgem as folhas num carvalho-negral?

As folhas e os ramos desenvolvem-se a partir das gemas.
As gemas são estruturas especializadas que durante o Inverno protegem os tecidos de crescimento (meristemas) que se encontram inactivos durante esta estação. Consoante a sua localização, a gema é terminal ou lateral (axilar), se se encontra na extremidade ou na parte lateral do raminho.
Gemas terminais e laterais de um carvalho-negral

Nas gemas (ou gomos) encontram-se inseridas pequeníssimas folhas, muito compactadas, geralmente protegidas por escamas (que também são folhas mas muito modificadas), cujo desenvolvimento origina um raminho (pequeno ramo que cresce nesse ano).
Na primavera surgem as pequenas folhas a partir das gemas.
A partir daí também se desenvolvem os raminhos.

Muitas gemas laterais desenvolvem-se no mesmo local onde se encontrava uma folha que entretanto caíu. Mas nem sempre crescem novas folhas onde anteriormente existiam, ficando permanentemente uma marca, a cicatriz de abcisão.
 Cicatriz de abcisão observando-se, mesmo por baixo dela, uma gema axial

As gemas do carvalho-negral apresentam a forma de um ovo (ovóide) ou de uma elipse alongada (oblonga), de 4 a 9mm de comprimento, cobertas de pequenos pêlos (tomentosas).

sexta-feira, 25 de março de 2011

A folha marcescente do carvalho-negral

Relativamente à persistência das folhas numa árvore existem, essencialmente, dois tipos: árvores de folha perene e árvores de folha não perene.
As árvores de folha perene (persistente) apresentam folha durante todo o ano. Individualmente as folhas vão caindo, mas nunca simultaneamente, tal como acontece no sobreiro, na azinheira ou nos pinheiros, existindo sempre muitas folhas verdes nestas árvore.

Carvalho-negral: uma árvore de folha marcescente

As árvores de folha não perene são aquelas em que durante uma parte do ano as folhas de toda a árvore secam, podendo caír (árvores de folha caduca) ou então permanecem secas na árvore até à Primavera seguinte, altura em que surgem as novas folhas (árvores de folha marcescente).
Uma folha marcescente de carvalho-negral

O carvalho-negral é uma árvore de folha marcescente, ou seja, é essencialmente uma árvore de folha não persistente em que a folha seca na própria árvore, caindo apenas na Primavera. No entanto, alguns carvalhos-negrais apresentem, ocasionalmente, folha caduca.

Carvalho-negral despido de folhas (fim do Inverno)

Se ainda quiserem ver as folhas secas mas ainda pendentes num carvalho-negral apressem-se pois já começam a surgir as primeiras folhas desta Primavera.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Características da folha do Carvalho-negral (Quercus pyrenaica)

Folha: caduca ou marcescente.

Dimensões da folha: 6 a 20 cm (comprimento); 3 a 14 cm (largura).

Cor da folha: página superior cinzento-rosada tomentosa quando jovem, tornando-se verde-escuro e glabra; página inferior mais clara, sempre tomentosa, aveludada ao toque.

Forma da folha: obovadas com recorte penatifendido ou penatipartido em 5 a 8 pares de lóbulos irregulares, estreitos e profundos por vezes quase até à nervura.

Nervuras da folha: cerca de 5 a 8 pares de nervuras secundárias dispostas ao longo dos lóbulos.

Pecíolo da folha: até 2,2 cm de comprimento, frequentemente tomentoso.
(Ver glossário abaixo)

Folhas de Quercus pyrenaica (ap-brainstorming.blogspot.com)

Folhas de Quercus pyrenaica no Outono (www.gijon.es)

Folhas de Quercus pyrenaica - página inferior

Glossário
Marcescente - que seca ou murcha sem se desprender do eixo.
Tomentoso - conjunto de pêlos macios densos, mas não muito compactos.
Glabro - desprovido de pêlos.
Obovado - forma semelhante a uma oval mas com a parte mais larga para cima.
Penatifendido - folha peninérvea com recortes que chegam quase a meio da distância entre a margem e a nervura mediana.
Penatipartido - folha peninérvea com recortes que passam mais de metade da distância entre a margem e a nervura mediana, mas sem a atingir.
Peninérvea  - folha com uma só nervura dorsal principal, de onde partem nervuras secundárias até à margem e a igual distância, lembrando a disposição das barbas de uma pena.

Bibliografia/webgrafia:
Humphries C. J., Press J. R., Sutton D. A. Árvores de Portugal e Europa - Guia FAPAS. Fundo para a Protecção de Animais Selvagens (1996)
http://www.uc.pt/herbario_digital/
http://arvoresdeportugal.free.fr/IndexArborium/Carvalho_negral_Quercus_pyrenaica/Ficha_Carvalho_negral_Quercus_pyrenaica.htm

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Estimativa da idade de um carvalho-negral (4)

A espessura do tronco deste carvalho aumentou mais rapidamente nos primeiros 30 anos, mantendo-se relativamente estável durante o resto da sua vida.

Observa-se também que o tronco é sempre mais espesso na base, a 1,3 metros de altura, do que a 7,5 metros de altura, facto normal no crescimento das árvores.

No entanto, o ritmo de crescimento a 7,5 metros de altura é mais elevado do que na base nas primeiras três décadas de vida da árvore, tornando-se menor com o passar dos anos.


Ao nível da base (a 1,3 metros de altura) o diâmetro do tronco aumentou, em média, 0,575 cm por ano, ou seja, 5,75 cm por década.

Se utilizarmos este valor como referência observamos que a espessura do tronco de um carvalho-negral, ao nível da base, aumenta cerca de 5 a 6 cm por década.

Assim, tendo esta árvore como referência, um carvalho-negral com um tronco com 1 palmo de diâmetro (cerca de 20-24 cm) terá cerca de 40 anos.

Realço, novamente, a imprecisão deste método pois muitos factores fazem variar o ritmo de crscimento de uma árvore - a sua própria idade, as condições climáticas e do solo onde cresce, secas e doenças, etc.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Estimativa da idade de um carvalho-negral (3)

Foram contados os anéis no tronco que, se a árvore estivesse de pé, estariam a 7,5 metros de altura.


A árvore atingiu esta altura no ano de 1900.

Um carvalho-negral com 120 anos.

A idade da árvore é de 120 anos. No entanto, se medirmos a idade a 7,5 metros de altura ela tem apenas 110 anos. Isto explica-se pelo facto deste carvalho ter demorado 10 anos a atingir 7,5 metros de altura.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Estimativa da idade de um carvalho-negral (2)

O tronco deste carvalho estava cortado transversalmente a 1,30 m de altura.

A cada 10 anéis colocou-se um alfinete.

A idade estimada foi 120 anos, ou seja, a bolota que o originou germinou em 1890!



segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Estimativa da idade de um carvalho-negral (1)

Quando fomos recolher bolotas para a comemoração do 2º "Dia mundial da bolota" deparámo-nos com um enorme carvalho-negral derrubado. Era, sem dúvida, a maior árvore daquele local. A intempéride que se fez sentir na véspera e os muitos anos que já tinha, decidiram a sua queda. Enfim, é o ciclo "natural" da vida de uma árvore.

Carvalho-negral-"sofá"

Ao passar por lá um destes dias notei que já estava parcialmente cortado, provavelmente, para o aproveitarem para lenha. Reparei também que o interior do seu tronco não estava podre, o que permite calcular, com alguma exactidão, a sua idade.

Velhinho carvalho-negral

Para tal, contam-se os anéis que o tronco apresenta, os quais resultam da deposição sucessiva de camadas de tecidos lenhosos no tronco. É a actividade periódica de um tecido chamado câmbio que acrescenta, ano a ano, camadas justapostas que irão estruturar o material lenhoso, formando os anéis de crescimento. 
Um anel de crescimento é composto por duas camadas: uma mais clara - lenho inicial ou primaveril, e outra mais escura - lenho tardio ou secundário.

Num ano o carvalho cresceu 1 anel (lenho primaveril + lenho tardio)

O lenho inicial ou primaveril forma-se quando as condições são ideais ao crescimento da árvore, geralmente na Primavera.

O lenho tardio ou secundário forma-se em períodos de stress fisiológico, menos propício ao crescimento.
Nas nossas latitudes (clima temperado) existem claramente períodos específicos de Verão e Inverno, ou de chuvas e secas.

Nesta imagem distingue-se bem o lenho primaveril (com os vasos de maior calibre) do lenho tardio (com os vasos de menor calibre). Observam-se dois anéis de crescimento, correspondentes a dois anos, sendo cada anel constituído pelos dois tipos de lenho.

Consequentemente, o crescimento das árvores está repartido por períodos onde, comparativamente, a árvore cresce mais e períodos onde o crescimento é mínimo e em muitos casos é nulo.

Essa diferença de crescimento, entre os tecidos do lenho inicial e lenho tardio representados nas camadas justapostas, produz nitidamente áreas concêntricas - os anéis de crescimento.

No entanto, este método não é totalmente exacto. Podem formar-se falsos anéis, produzidos em consequência de sucessivos períodos curtos de seca e chuvas, ataque de insectos, doenças, geadas e outros factores, resultando em mais de um ciclo de crescimento durante o período de um ano.

O método utilizado foi o mais simples possível - contar, à vista desarmada, os anéis. No entanto, a utilização de lentes, corantes, luz, álcool, gasolina, raios ultra-violetas, polimento da superfície, queimadura ligeira da superfície aumenta a exactidão da contagem em árvores derrubadas.

Também se pode determinar a idade de uma árvore viva, com elevada exactidão, utilizando-se um trado de Pressler - semelhante a uma broca oca que permite perfurar a árvore e obter um pequeno cilindro do seu interior onde se contam os anéis.

Para saber mais: http://br.monografias.com/trabalhos-pdf/idade-crescimento-arvoresis/idade-crescimento-arvoresis.pdf

sexta-feira, 5 de março de 2010

O ciclo de vida de um carvalho




















Esta imagem mostra o crescimento de um carvalho

O fruto de um carvalho é a sua bolota. Nessa bolota encontra-se uma pequena semente que irá cair na terra quando ficar madura e germinar se o local onde caiu tiver boas condições. Após germinar irá começar a formar-se um caule e as raízes começam a ramificar-se assegurando uma boa fixação e uma boa absorção de nutrientes. Mais tarde o tronco engrossa chegando a ter 7 metros de diâmetro e forma-se no topo da árvore uma grande copa. Este crescimento é lento e demora vários anos. Ao fim de muitos anos o carvalho deixa de crescer, as raízes deixam de absorver o necessário para o crescimento e manutenção do carvalho, a copa não expõe grande parte das folhas ao sol e o tronco não consegue suportar o peso da árvore. O carvalho tem mais dificuldade em obter alimento e é alvo de fungos e outra infestações que o debilitam, perfurando-lhe o tronco e transformando-o em celuloso sem resistência e o carvalho acaba por tombar.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Aproveitamento económico do carvalho-negral

A primeira recolha de bolotas: turma 9ºC
Outubro 2007
Participação no projecto "Um milhão de carvalhos para a Serra da Estrela"

A utilização actual mais comum do carvalho-negral (Quercus pyrenaica) é o seu aproveitamento para lenha. Devido às características do seu desenvolvimento – crescimento de várias árvores muito juntas – este tipo de exploração é rentável e sustentável através do corte selectivo.

A sua madeira já não tem a utilidade de outros tempos – portes, soalhos, mobílias, pipas – pois foi sendo substituído por outras espécies, algumas com impacto negativo no ambiente (ex.: carvalho-americano – Quercus rubra).

Mas os maiores benefícios desta espécie são a longo prazo. A manutenção da biodiversidade, do solo e da qualidade da água, o seu efeito retardador de incêndios, entre outros, são vantagens para o Homem dificilmente quantificáveis para o nosso futuro. Quanto valem exactamente…? Seguramente muitos milhões$$$!!!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Importância ambiental do carvalho-negral: solo e água

Recolha de bolotas de carvalho-negral (Quercus pyrenaica) pela turma do 11ºA
Outubro de 2009
Muitos são "repetentes" do projecto "Um milhão de carvalhos para a Serra da Estrela" no ano lectivo 2007/2008

O carvalho-negral (Quercus pyrenaica) desenvolve-se bem em solos soltos, arenosos, de origem granítica ou xistosa e, preferencialmente, ricos em água.

Não tolera solos de origem calcária.

Frequentemente ocorre em lameiros e margens de ribeiras juntamente com outras árvores como, por exemplo o freixo (Fraxinus angustifolia).

A sua presença possibilita a instalação de um estrato herbáceo rico e abundante.

A queda das suas folhas permite uma boa acumulação de matéria orgânica no solo.

Estes factores juntos permitem a manutenção e desenvolvimento do solo, assim como a retenção de água ao longo de todo o ano.

Mais uma vez se salienta a importância ambiental desta árvore. Permite uma grande biodiversidade, mantém o solo, retém água o que permite a recarga constante dos lençóis freáticos, sendo um agente retardador da propagação do fogo.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Importância ambiental do carvalho-negral: interacções intra-específicas


Recolha de bolotas de carvalho-negral (Quercus pyrenaica) pela turma do 11ºA
Outubro de 2009
Muitos são "repetentes" do projecto "Um milhão de carvalhos para a Serra da Estrela" no ano lectivo 2007/2008

Os bosques de carvalho-negral, tal como as restantes formações de árvores autóctones portuguesas, são riquíssimos do ponto de vista da biodiversidade. Inúmeras plantas, animais, fungos (e já agora, protistas e bactérias) instalam-se nestes bosque, constituído ecossistemas de enorme importância ambiental.

Na Serra da Estrela muitas árvores, arbustos e ervas podem ser encontradas juntamente com o carvalho-negral, referindo-se aqui algumas delas:

Árvores:
Carvalho-alvarinho (Quercus robur )
Tranazeira (Sorbus aucuparia)
Castanheiro (Castanea sativa)
Arbustos:
Giesteira-branca (Cytisus multiflorus)
Tojo-gadanho (Genista falcata)
Silva-comum (Rubus ulmifolius)
Sargaço (Cistus monspeliensis)
Urze-vermelha (Erica australis)
Pilriteiro (Crataegus monogyna)
Gilbardeira (Ruscus aculeatus)
Trivisco-fêmea (Daphne gnidium)
Estrato herbáceo:
Dedaleira (Digitalis purpurea)
Estrelamim (Aristolochia longa)
Clinopódio (Clinopodium vulgare)
Feto-ordinário (Pteridium aquilinum)
Escorodónia (Teucrium scorodonia)
Rabo-de-cão (Cynosurus echinatus)

Os carvalhais de Quercus pyrenaica são igualmente ricos em fauna. Muitos animais encontram aí abrigo e alimento, quer nos carvalhos, quer no solo que estas árvores produzem, quer ainda nas outras espécies vegetais que aí se encontram.

Mamíferos, répteis, anfíbios, aves e muito invertebrados dependem dos carvalhais. Um dos melhores exemplos desta interdependência é o gaio (Garrulus glandarius). Este corvídeo tem como principal alimento as bolotas. Recolhe-as durante a época de frutificação (ver blog dia 22/02/2010) e esconde-as um pouco por todo o lado para se alimentar delas durante o resto do ano. É um ave com excelente memória... mas são milhares as bolotas que enterra. Uma parte fica esquecida e pode germinar, nascendo mais carvalhos!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Distribuição do carvalho-negral

Recolha de bolotas de carvalho-negral junto ao aeródromo da Covilhã
Outubro 2009 - Turma 11ºC

O carvalho-negral (Quercus pyrenaica) é uma árvore autóctone de Portugal, Espanha, França (litoral atlântico), Itália e Norte de Marrocos.

Genericamente, pode considerar-se como a árvore mais representativa da região centro-norte interior, encontrando-se um pouco por toda a Beira-Baixa, Beira-Alta, Trás-os-Montes e Alto-Douro, sendo bastante abundante em alguns destes locais.

Pode ainda ser encontrada a Norte do Rio Tejo nas montanhas do Minho e na Serra de Sintra, e também a Sul do Tejo na Serra de São Mamede, Serra de Ossa e Serra de Monfurado.

É em Portugal que se encontra a maior área do carvalho-negral do mundo - um verdadeiro tesouro ambiental a preservar!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

O carvalho-negral (Quercus pyrenaica)

Um carvalho-negral (Quercus pyrenaica) na vertente Este da Serra da Estrela

O carvalho-negral é uma árvore de folha caduca ou marcescente.

As suas folhas são subcoriáceas, com recortes muito profundos, glabras na página superior e pubescentes na página inferior, o que lhes confere um toque aveludado.

A casca é cinzento-escura, muito gretada. Apresenta uma copa ampla e arredondada, podendo atingir os 25 metros.

O período de floração ocorre nos meses de Abril e Maio.

O fruto é uma bolota (ver blog dia 20/11/2009). A frutificação ocorre entre Setembro e Novembro.

Marcescente - secam e ficam na árvore.
Subcoriáceas – consistência um pouco inferior à do couro.
Glabras – desprovido de pêlos.
Pubescentes – revestido por um conjunto de pêlos fracos e densos.